Franceses marcham contra políticas anti-sociais

PROTESTO Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia 16, em França, contra as alterações ao código do trabalho e as reformas de cariz neoliberal do governo do presidente Emmanuel Macron.

Agenda liberal ameaça direitos laborais e sociais

Image 24009

A quarta jornada de mobilizações foi convocada pelos sindicatos da CGT, Solidaires, FSU (federação do ensino) e pelas organizações estudantis Unef, FDL e UNL, aos quais, pela primeira vez desde Setembro, se juntou a FO (Força Operária).

Apesar do alargamento da frente de contestação à ofensiva anti-social de Macron, o movimento sindical continua dividido, após o fracasso de várias tentativas para construir a unidade na acção.

Se as organizações sindicais, em geral, são contrárias ao sentido geral das reformas apresentadas e em preparação, abrangendo a legislação laboral e um vasto conjunto de direitos sociais, a verdade é que parte delas recusa-se a organizar a luta dos trabalhadores, optando para já apenas pela batalha judicial para derrotar os projectos de Macron.

A adesão das organizações estudantis e de docentes tem como causa próxima um projecto que redefine as modalidades de admissão nas universidades, o qual, afirmam, põe em causa «o livre acesso ao ensino superior».

O polémico projecto para o ensino superior, apresentado esta semana, soma-se a uma série de decretos que alteram aspectos essenciais da legislação laboral, como são exemplos o plafonamento das indemnizações por despedimento sem justa causa, a negociação das condições de trabalho directamente com os trabalhadores, a secundarização dos convénios colectivos face a acordos de empresa, bem como outros projectos anunciados que visam reduzir direitos de protecção no desemprego e de reforma.

Perante uma tal agenda de «destruição social», as centrais mais combativas prometem continuar a luta na rua, mas também nas empresas e na Justiça, contestando a constitucionalidade de vários diplomas.

«O combate está longe de terminar», declarou Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, na manifestação em Paris. «Apesar da lei, a luta deve prosseguir nas empresas. É todo um projecto de sociedade que está em questão. É bom que a unidade sindical se alargue».




Mais artigos de: Europa

Centenário da Revolução de Outubro no Parlamento Europeu

Por iniciativa dos deputados do PCP no Parlamento Europeu, foi inaugurada no dia 8 de Novembro, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, uma exposição sobre o «Centenário da Revolução de Outubro», com o objectivo de assinalar a primeira revolução vitoriosa na...

Os «Paradise Papers» mais um espelho do capitalismo

LUSA Rebentou por estes dias mais um escândalo fiscal, baptizado de «Paradise Papers». Estas revelações foram feitas pelo mesmo consórcio de jornalistas (Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação que reúne 96...