ONU promete desbloquear conflito no Saara Ocidental
O enviado especial do secretário-geral da ONU para o Saara Ocidental, Horst Kohler, disse que não tem «uma varinha mágica» mas assegurou que desenvolverá «todos os esforços» para desbloquear o processo.
Na sua primeira visita aos campos de refugiados de Tinduf, na Argélia, onde vivem milhares de saaráuis desde que, em 1975, Marrocos ocupou o território, o ex-presidente alemão foi recebido por centenas de pessoas nas ruas e reuniu-se com o primeiro-ministro Abdelkader Taleb Omar.
«É uma visita com um valor acrescentado, já que tem a capacidade de fazer avançar o processo» e «conta com o apoio do secretário-geral das Nações Unidas», disse à agência espanhola EFE Mohamad Jadad, coordenador saaráui com a missão da ONU no Saara (Minurso). «É necessário retomar a negociação e procurar uma solução justa, porque se não houver uma solução as coisas podem piorar, a paciência tem um limite», advertiu Jadad.
Para além dos entraves colocados por Marrocos, «o obstáculo principal são alguns membros do Conselho de Segurança», opina Jadad. Numa alusão à França, o responsável saaráui entende que «existe falta de vontade do Conselho de Segurança» para forçar a realização do referendo de autodeterminação prometido depois do cessar-fogo assinado em 1991.
Um dia depois de ter estado em Rabat com o rei Mohamed VI de Marrocos, Kohler esteve nos campos de Tinduf e foi recebido pelo presidente da República Árabe Saaráui Democrática (RASD), Brahim Ghali. O seu périplo inclui também a Argélia e a Mauritânia.