Tropas especiais dos EUA no Níger

Carlos Lopes Pereira

O comando militar dos Estados Unidos para África (Africom) está a investigar as circunstâncias em que morreram quatro membros das forças especiais norte-americanas no Níger, a 4 de Outubro, numa emboscada ocorrida perto da fronteira com o Mali. No confronto com grupos jihadistas morreram também quatro militares nigerinos.

Em Washington, o secretário da defesa, James Mattis, reuniu-se à porta-fechada com o senador John McCain, que dirige a Comissão das Forças Armadas no Senado e pediu explicações ao Pentágono sobre caso. Os congressistas querem respostas a questões mal esclarecidas, como por exemplo as razões de o corpo de um dos militares abatidos não ter sido imediatamente recolhido.

De acordo com a imprensa, a patrulha conjunta norte-americana-nigerina ia «visitar alguns chefes tribais» quando caiu numa emboscada, tendo os feridos sido evacuados por helicópteros franceses.

Mattis disse aos jornalistas que as tropas especiais norte-americanas encontram-se no Níger para «ajudar os povos da região a defender-se» contra os «terroristas que semeiam instabilidade, mortes e confusão». Segundo ele, o corpo do sargento La David T. Johnson foi «encontrado depois» da emboscada por «forças não-americanas». «O exército americano não abandona os seus soldados», enfatizou o general.

O presidente Donald Trump, por seu turno, foi alvo de críticas por não ter reagido prontamente à morte dos quatro militares. Apresentou depois, por telefone, apressadas condolências à viúva do sargento Johnson, antes de justificar-se e afirmar, contrariando os factos, que os seus antecessores na Casa Branca não contactavam as famílias dos soldados caídos em combate.

Bases militares

O Níger, rico em urânio, explorado pela multinacional francesa Areva, está fortemente envolvido nas guerras dos seus vizinhos do Sahel (no Mali, a Noroeste) e da África Ocidental (na Nigéria, a Sul).

Integra, por um lado, a força militar conjunta de cinco países sahelianos, o G5 Sahel, inspirada e financiada pela França, na qual participam também Mauritânia, Mali, Burkina Faso e Chade. Faz parte, por outro lado, do grupo de países ribeirinhos do Lago Chade – com a Nigéria, o Chade e os Camarões –, cujos exércitos, apoiados por um milhar de efectivos norte-americanos, combatem há vários anos, sobretudo no Nordeste nigeriano, o grupo terrorista Boko Haram.

Estas alianças do Níger com a França e os EUA traduzem-se nas «facilidades» militares que o governo nigerino disponibiliza às potências ocidentais.

Os EUA dispõem de uma base aérea em Niamey e mantêm no país 800 membros das forças especiais. Na base, também utilizada pela França, estão estacionados drones que desempenham missões de reconhecimento e recolha de informações no Níger, Mali, Nigéria e Líbia. Os norte-americanos estão a construir uma outra base, em Agadez, no centro do país, para alargar a capacidade do programa de vigilância aérea. Também a Alemanha anunciou em 2016 que projecta instalar uma base militar em Niamey, para apoiar as suas tropas ao serviço da Minusma, a missão da ONU no Mali.

 



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