PCP exige políticas de fundo e rejeita manobras parlamentares

RESPOSTAS Para o PCP, a demissão ontemconhecida da ministra da Administração Interna não altera emnada a questão essencial: dar resposta aos «problemas acumulados na floresta portuguesa na sequência de décadas de política de direita».

São precisas mais verbas no Orçamento do Estado para minimizar os problemas da floresta

LUSA

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Ontem – em declarações à comunicação social a propósito da demissão de Constança Urbano de Sousa – João  Oliveira, da Comissão Política e presidente do Grupo Parlamentar do PCP, reiterou a necessidade de outras políticas para a floresta e para o combate aos fogos.
«Se o Governo recusar a imposição do défice de 1 por cento e admitir um défice de 1,5 por cento, em 2018, isso pode significar a libertação mil milhões de euros para responder aos problema da floresta nas áreas da Administração Interna, do ordenamento florestal, dotação de meios do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e outras estruturas», declarou, adiantando que o PCP não acompanha «a lógica de quem já foi adiantando a ideia de que tem de se ver se há margem orçamental para responder aos problemas da floresta».
«Não podemos ficar dependentes da avaliação relativamente a medidas para resolver outros problemas. Pôr em alternativa, “dar respostas aos problemas da floresta ou devolver pensões, direitos e rendimentos aos trabalhadores e reformados do País”, não é uma alternativa que se coloque », frisou João Oliveira.
Defendeu, por isso, ser «preciso alterar opções e políticas, não só adoptando medidas imediatas que é preciso considerar como políticas de fundo que é preciso pôr em prática relativamente às questões da floresta que vão para lá da Administração Interna».                

Mudar de políticas

A demissão da ministra da Administração Interna – que alega que estão esgotadas as condições para que se mantivesse em funções e invoca a preservação da sua dignidade pessoal – surge horas depois de uma  comunicação do Presidente da República (PR), anteontem, 17, em Oliveira do Hospital. MarceloRebelo de Sousa afirmou que é preciso «abrir um novo ciclo» na sequência dos incêndios que vitimaram mortalmente mais de uma centena de pessoas, e que isso «inevitavelmente obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, como e quando melhor serve esse ciclo».
O PR avisou que usará todos os seus poderes contra a fragilidade do Estado e sugeriu que aAssembleia da República clarifique o apoio ao Governo. «Se na AR há quem questione a capacidade do Governo para realizar estas mudanças indispensáveis e inadiáveis (...) a mesma Assembleia que clarifique se quer ou não manter em funções oGoverno», disse, referindo-se, indirectamente, à moçãode censura que o CDS já anunciou querer levar ao Parlamento, sublinhando o significado político da sua aprovação ou chumbo.
Medidas imediatas e de fundo Em nota do seu Gabinete de Imprensa, o PCP reagiu às declarações do PR  sublinhando que a dimensão da tragédia «traduz dramaticamente os problemas da floresta acumulados por décadas de política de direita de governos PSD, CDS e PS» e «exige a adopção de medidas imediatas e políticas de fundo que dêem resposta a esses problemas e não que eles sejam utilizados como pretexto para manobras parlamentares que visam apenas objectivos políticos e partidários».
Também o Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) acusou os «sucessivos governos» de não tomarem a defesa da floresta como «prioridade», sendo que o último, do PSD/CDS, «tomou medidas, de todos conhecidas, para fragilizar ainda mais a floresta».
«Foram décadas perdidas!», criticaram os ecologistas, lembrando que o PEV exigiu do Governo, logo no início da legislatura, «decisões sobre mudanças estruturais na floresta portuguesa», que passam, por exemplo, pela «existência de mais e melhores meios de fiscalização e vigilância».

 



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