Organizações analisam eleições e decidem intervenção futura
DEBATE Passadas as eleições autárquicas de 1 de Outubro e a reunião do Comité Central de dia 3, as organizações do Partido estão a proceder aos seus balanços e a traçar perspectivas de acção futura.
A CDU continua a ser a grande força de esquerda nas autarquias
A Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP (DORS), reunida no dia 4, realça, em comunicado, que o resultado alcançado pela CDU na região confirma-a como a «força mais votada, com maior número de presidências de Câmara Municipal (5) e de Junta de Freguesia (22) e com maior número de mandatos em assembleias municipais». A perda da presidência nas câmaras de Alcochete, Almada e Barreiro e em oito juntas de freguesia é o «aspecto mais negativo deste resultado», ao retirar força à defesa dos serviços públicos, dos direitos dos trabalhadores, da participação democrática, acrescenta-se.
A DORS, que traça como objectivo a recuperação e reforço das posições da CDU no futuro, garante que os mais de 350 eleitos que detém na região «exercerão o seu mandato com trabalho, honestidade e competência, na continuidade dos mandatos anteriores». Após valorizar todos quantos se empenharam na campanha da CDU e os mais de 112 mil eleitores que votaram nas listas da coligação, o organismo de direcção regional do PCP apontou ao lançamento de uma «forte e dinâmica acção política». No próximo sábado, 14, Jerónimo de Sousa participa num comício em Almada.
No dia 3, o Executivo da Comissão Concelhia de Setúbal tinha já sublinhado o «excelente resultado eleitoral» alcançado pela CDU: na Câmara Municipal, reforçou a maioria absoluta, passando de seis para sete vereadores e obtendo mais 5600 votos do que há quatro anos; na Assembleia Municipal elegeu 16 elementos, mais um do que no mandato que agora cessa, e mais quase três mil votos. Nas freguesias, a CDU reforçou as maiorias absolutas em Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra e Sado e alcançou-a em São Sebastião, reforçando também as suas posições nas uniões de freguesias de Setúbal e de Azeitão.
O organismo partidário relaciona os resultados alcançados com o «trabalho ímpar desenvolvido pelos eleitos da CDU, pois são eles os protagonistas de uma estratégia colectiva de desenvolvimento do concelho».
Garantia de intervenção
«CDU sai reforçada no distrito de Portalegre», afirma o Secretariado da Organização Regional (DORPOR) no comunicado que emitiu poucos dias após o acto eleitoral. Nessas eleições, valoriza, a CDU confirmou-se como a segunda força política no distrito «em número de votos e em percentagem», tanto para as câmaras e assembleias municipais como para as assembleias de freguesia.
No concreto, explicita-se no comunicado, a CDU manteve e reforçou as maiorias nas câmaras de Avis e Monforte, aumentando inclusivamente o número de vereadores. Destaca-se ainda o resultado alcançado em Campo Maior, com a eleição de um vereador e sete membros da Assembleia Municipal, aumentando de um para 16 o número de eleitos da CDU no concelho, e o reforço das posições na capital de distrito. O Secretariado da DORPOR valoriza ainda as vitórias alcançadas nas seguintes freguesias e uniões: Seda; Alcórrego e Maranhão; Aldeia Velha; Avis; Ervedal; Figueira e Barros; Monforte; Santo Aleixo; Vaiamonte; Alpalhão; Espírito Santo, Senhora da Graça e São Simão; Montalvão e Galveias.
Numa primeira avaliação aos resultados eleitorais no concelho de Beja, a Comissão Concelhia reconhece que estes não confirmaram os objectivos definidos: a CDU não renovou a presidência na Câmara e Assembleia municipais nem reforçou posições e mandatos. Apesar disso, manteve a presidência de seis das nove freguesias que antes geria. Valorizando a campanha realizada, assente «no contacto directo, no porta a porta, nos bairros, nas freguesias, nas empresas, de auscultação de problemas, de esclarecimento e contacto com as populações», a Comissão Concelhia garante que os eleitos da CDU continuarão a ser uma «garantia segura de intervenção dedicada para dar resposta» às aspirações populares.
Avanços e pressões
Na Região Autónoma dos Açores, a CDU elegeu um vereador em Santa Cruz das Flores, seis membros em assembleias municipais e três em assembleias de freguesia. Comparativamente com as autárquicas de 2013, a CDU ganhou um vereador, que antes não tinha. Este balanço foi feito no dia 8 pelo coordenador regional do PCP, Vítor Silva, dando conhecimento público das conclusões da reunião da Direcção da Organização da Região Autónoma dos Açores, realizada nesse mesmo dia. O dirigente comunista garantiu que os eleitos da CDU, assim como as forças que integram a coligação, irão pôr em prática o que propuseram nos programas eleitorais.
Vítor Silva denunciou ainda as pressões exercidas sobre candidatos da CDU na região por parte das suas entidades patronais. Estas pressões resultaram na desistência de alguns candidatos antes das eleições e mesmo após 1 de Outubro alguns dos que deram a cara pela CDU foram informados de que deixariam de prestar serviço para as juntas de freguesia em que trabalham.
Em Lisboa por uma cidade para todos
O PCP apoiará «tudo o que seja positivo para a cidade [de Lisboa] e para quem nela vive e trabalha», ao mesmo tempo que rejeitará e combaterá «tudo o que seja negativo». A garantia foi deixada no dia 4 pela Direcção da Cidade de Lisboa do PCP, para quem «nenhuma circunstância ou desenvolvimento» afastará os comunistas e seus aliados deste princípio.
Numa nota enviada à comunicação social, o organismo de direcção do PCP na capital reafirma a disponibilidade do Partido para «continuar a desenvolver no executivo municipal uma intervenção activa, atenta, exigente e construtiva, que contribua para resolver os problemas sentidos por todos os que vivem e trabalham em Lisboa e para enfrentar de forma corajosa os desafios que se colocam à cidade». O documento esclarece também que os comunistas não recusam à partida nenhuma convergência em torno de soluções que sirvam a cidade, cumprindo escrupulosamente os compromissos assumidos com a população e salvaguardando sempre a sua autonomia.
A balizar a intervenção dos eleitos da CDU estará, como sempre esteve, o seu projecto para Lisboa, assente na «defesa do direito à cidade, à sua fruição por inteiro, sem exclusões nem desigualdades». É precisamente este projecto que os afasta de «práticas e opções fundamentais prevalecentes na gestão municipal ao longo dos últimos anos».