United Cabs Company

Manuel Gouveia

Em Por­tugal há uma lei, a 35/​2016 pro­posta pelo PCP, que proíbe e pune a prá­tica de an­ga­ri­ação, com re­curso a sis­temas de co­mu­ni­ca­ções ele­tró­nicas, de ser­viços para vi­a­turas sem al­vará. Essa lei não é pura e sim­ples­mente cum­prida. Chega-se ao cú­mulo de ver en­ti­dades pú­blicas, como al­gumas au­tar­quias, a fazer pro­to­colos com en­ti­dades proi­bidas por lei, a pu­bli­citar esses pro­to­colos, e assim, in­di­rec­ta­mente, a pro­mover ser­viços que operam ile­gal­mente em Por­tugal.

Quando pres­si­o­nada pelos pro­fis­si­o­nais do sector do táxi, e na justa me­dida do ne­ces­sário para di­mi­nuir essa pressão, a po­lícia e os re­gu­la­dores lá vão ac­tu­ando, só para que se veja e nunca para parar a ile­ga­li­dade. E só ac­tuam contra a vi­a­tura sem li­cença e res­pec­tivo mo­to­rista, nunca in­co­mo­dando a mul­ti­na­ci­onal que pro­moveu a ile­ga­li­dade, que co­meteu ela pró­pria uma ile­ga­li­dade ex­pres­sa­mente pu­nida e que ar­re­cada sempre uma per­cen­tagem da re­ceita ile­gal­mente an­ga­riada. Quando são re­a­li­zados mi­lhares de ser­viços ile­gais por dia através dessas mul­ti­na­ci­o­nais, é sig­ni­fi­ca­tivo que um ano de­pois te­nham sido apli­cadas umas poucas cen­tenas de multas, e destas apenas três multas às mul­ti­na­ci­o­nais, sendo que ne­nhuma delas foi co­brada.

Tudo isto acon­tece porque o Go­verno assim o de­cidiu. Se­guindo aliás o exemplo do go­verno an­te­rior. Porque quer mudar a lei, porque quer le­ga­lizar o que hoje é ilegal. E en­quanto es­peram pela opor­tu­ni­dade de mudar a lei tratam de a não cum­prir nem fazer cum­prir.

É que re­cor­dando aquilo que acon­tecia nas re­pú­blicas das ba­nanas, onde a United Fruit Com­pany punha e dis­punha, em Por­tugal con­tinua a haver go­ver­nantes dis­postos a ajo­e­lhar pe­rante as mul­ti­na­ci­o­nais e seus in­te­resses, umas vezes por in­te­resse, ou­tras por con­vicção, por se dei­xarem des­lum­brar com a pro­pa­ganda e a mi­to­logia dos co­lo­ni­za­dores. Com­pro­me­tidos em fazer aplicar ina­pe­la­vel­mente todas as leis... sempre e quando isso seja do in­te­resse do grande ca­pital.




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