Máscaras, ameaças e denúncia
Depois das incendiárias palavras na ONU ameaçando destruir totalmente a República Popular Democrática da Coreia e distribuindo por diversos países outras ameaças e remoques que deixaram o mundo espantado, Donald Trump (DT) atira-se agora ao desporto no seu próprio país, procurando atingir aqueles que, a partir dele, ousem pôr em causa o seu mando imperialista.
Vai daí, na passada sexta-feira, chamou indirectamente «filho da puta» a um jogador de futebol norte-americano (Colin Keapernick) que, desde o ano passado, antes do início de cada partida, se ajoelhava ao som do hino nacional, como forma de denúncia da violência policial e da injustiça racial nos EUA contra cidadãos afro-americanos.
Insistindo na atitude boçal, voltou à carga através da rede twitter a sugerir aos adeptos que deixassem de ir aos estádios ou os abandonassem perante protestos deste tipo.
Os jogadores da NFL não se deixaram intimidar. No domingo passado, em Londres, antes do início de um encontro, responderam a DT repetindo o acto simbólico de insubmissão e de protesto levado a cabo por Colin Keapernick. Só que desta vez foram vários os jogadores a protestar repetindo a forma tão sui generis que C. Keapernick encontrara para a denúncia e que tanto desagradou aos verdadeiros responsáveis pela violência e injustiça racial.
Bem sabemos que é da natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora do capitalismo que emergem estes fenómenos de violência e injustiça racial.
Tal como uma marioneta do teatro, todos sabemos igualmente que por detrás de DT está um sistema com mil máscaras que, em cada momento, usa a que melhor serve a defesa dos seus interesses de classe.
Mas, por mais máscaras que use e mais ameaçador que seja o poder do opressor, não travará a luta dos que sofrem a exploração e a opressão. Como, aliás, este caso evidencia.