Hipocrisia e autodeterminação
O mais fácil é denunciar a hipocrisia. Ela destaca-se para qualquer pessoa com o mínimo de sentido crítico. É assim quando nos explicam que o quarto mandado de Merkel, com um terço dos votos expressos, é o reflexo da vontade soberana do povo alemão, mas já o terceiro mandato de Morales, mesmo que com 60% dos votos, seria a ditadura unipessoal na Bolívia. Ou que os assassinos de polícias na Venezuela são combatentes pela liberdade que só um ditador como Maduro colocaria na cadeia, mas já aqueles que colaram autocolantes nos carros da polícia na Catalunha são terroristas que vão ser punidos com 15 anos de prisão pelo democrata Rajoy.
Assim trata também o imperialismo a questão da autodeterminação das nações. Quando interessa (a si próprio!) enfraquecer ou destruir um Estado plurinacional, invoca sem pudor o direito à autodeterminação, estimulando a independência e a secessão (veja-se o ataque à Jugoslávia e à URSS). Mas quando interessa (novamente, a si próprio) apoia o esmagamento desse direito, como aconteceu com Timor-Leste e acontece com o Saara Ocidental, sem esquecer a Líbia, o Iraque e todas as invasões, colonizações e neocolonizações que fazem a história do capitalismo.
Tudo isto reflecte que, para o grande capital, não há outra lei que os seus próprios interesses, não há outro direito que o seu direito a explorar os trabalhadores, os povos e os países.
Já os comunistas são, sempre, pelo direito à autodeterminação das nações. Sendo que no livre exercício desse direito, e de acordo com as condições concretas de cada processo, os comunistas de cada nação defendem, para a sua nação, diversas soluções, da independência à livre associação de repúblicas até à integração em Estado plurinacional. Garantindo que o que é essencial continua a ser construído: a crescente unidade e acção convergente dos trabalhadores de todas as nações contra a exploração e a opressão capitalista, a Internacional!