Hipocrisia e autodeterminação

Manuel Gouveia

O mais fácil é denunciar a hipocrisia. Ela destaca-se para qualquer pessoa com o mínimo de sentido crítico. É assim quando nos explicam que o quarto mandado de Merkel, com um terço dos votos expressos, é o reflexo da vontade soberana do povo alemão, mas já o terceiro mandato de Morales, mesmo que com 60% dos votos, seria a ditadura unipessoal na Bolívia. Ou que os assassinos de polícias na Venezuela são combatentes pela liberdade que só um ditador como Maduro colocaria na cadeia, mas já aqueles que colaram autocolantes nos carros da polícia na Catalunha são terroristas que vão ser punidos com 15 anos de prisão pelo democrata Rajoy.

Assim trata também o imperialismo a questão da autodeterminação das nações. Quando interessa (a si próprio!) enfraquecer ou destruir um Estado plurinacional, invoca sem pudor o direito à autodeterminação, estimulando a independência e a secessão (veja-se o ataque à Jugoslávia e à URSS). Mas quando interessa (novamente, a si próprio) apoia o esmagamento desse direito, como aconteceu com Timor-Leste e acontece com o Saara Ocidental, sem esquecer a Líbia, o Iraque e todas as invasões, colonizações e neocolonizações que fazem a história do capitalismo.

Tudo isto reflecte que, para o grande capital, não há outra lei que os seus próprios interesses, não há outro direito que o seu direito a explorar os trabalhadores, os povos e os países.

Já os comunistas são, sempre, pelo direito à autodeterminação das nações. Sendo que no livre exercício desse direito, e de acordo com as condições concretas de cada processo, os comunistas de cada nação defendem, para a sua nação, diversas soluções, da independência à livre associação de repúblicas até à integração em Estado plurinacional. Garantindo que o que é essencial continua a ser construído: a crescente unidade e acção convergente dos trabalhadores de todas as nações contra a exploração e a opressão capitalista, a Internacional!




Mais artigos de: Opinião

Máscaras, ameaças e denúncia

Depois das incendiárias palavras na ONU ameaçando destruir totalmente a República Popular Democrática da Coreia e distribuindo por diversos países outras ameaças e remoques que deixaram o mundo espantado, Donald Trump (DT) atira-se agora ao desporto no seu próprio...

O eixo e a luta

As eleições alemãs traduzem, a exemplo das eleições em França, uma acentuada erosão eleitoral dos partidos que ao longo das últimas décadas têm sido responsáveis pela governação e pela condução do processo de...

Levar a luta até ao voto!

As campanhas eleitorais, tal como as concebemos, são sempre um momento de concentração de milhares de militantes e activistas da CDU contactando directamente com os trabalhadores e com as populações.

«Folies Bergères»

Acentuadamente, a generalidade campanhas eleitorais autárquicas afunilam numa espécie de A Campanha Alegre. A colheita divide-se em dois grupos, a que podemos chamar as «Folies» e as «Bergèrers» – sem desprezo pelas «loucuras» nem pelas...

EUA, estratégia da tensão

Será que a política dos EUA é fundamentalmente determinada por um presidente «paranóico» e por uma administração «incoerente e errática»? Essa tem sido fundamentalmente a visão promovida pela comunicação social dominante que,...