Armada italiana de volta à Líbia

Carlos Lopes Pereira

LUSA

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A Itália prepara-se para enviar navios de guerra para águas da Líbia a pretexto de «combater o tráfico humano» e de «conter» a onda de imigrantes africanos para a Europa.

A missão decidida pelo governo de Roma, que tem ainda de ser aprovada pelo parlamento, está a ser organizada pelos militares. A frota estará pronta em finais de Agosto e o jornal Corriere della Sera noticiou que será formada por um navio de comando e por cinco outros barcos de guerra e mais de um milhar de marinheiros. Aviões, helicópteros e drones serão também utilizados.

O primeiro-ministro Paolo Gentiloni justificou a decisão com um pedido do governo de Fayez al-Sarraj, com sede em Tripoli e reconhecido pelas Nações Unidas, «convidando» os navios italianos a entrar e permanecer em águas territoriais líbias. Os pormenores da operação, a área costeira líbia a ser patrulhada e a natureza da cooperação com as diversas forças armadas líbias não foram revelados.

Mas não é só a Itália, antiga potência colonial da Líbia e que ali mantém interesses económicos, nomeadamente na exploração petrolífera, que está a reforçar a ingerência no país norte-africano.

Também a pensar no petróleo, a França que, com Nicolas Sarkozy, participou da agressão imperialista de 2011 à Líbia, intensifica agora o seu intervencionismo, sob a liderança do presidente Emmanuel Macron.

Paris anunciou que vai instalar, em território líbio, ainda este Verão, postos de controlo para processar os «pedidos de asilo», tentando travar o fluxo de imigrantes para a Europa. Macron justificou a iniciativa afirmando que assim se evitarão os «imensos riscos» que correm «pessoas não elegíveis» para a obtenção de asilo. Metendo no mesmo saco, deliberadamente, migrantes e refugiados, garantiu que há neste momento na Líbia entre 800 mil e um milhão de pessoas «à espera de poder entrar» na Europa.

Macrom mediou, a 25 de Julho, em Paris, um encontro entre Fayez al-Sarraj, do Conselho Presidencial Líbio, baseado na capital, e Khalifa Haftar, comandante do Exército Nacional Líbio, que controla o Leste e o Sul do país.

Os dois rivais acordaram – mas não assinaram – uma declaração em que reconhecem que a solução para a Líbia só pode ser política e que passa por um processo de reconciliação nacional que envolva todos os líbios. Prometeram respeitar o cessar-fogo entre as duas partes, continuar a «luta anti-terrorista» e a desarmar as numerosas milícias no terreno. E assumiram o compromisso de realizar eleições na Primavera de 2018, «se as condições o permitirem».

Para observadores, a reunião patrocinada pela França tem poucas hipóteses de êxito. Nada foi assinado, os dois rivais líbios não se comprometeram e não foram convidados outros protagonistas da actual situação, provocada pela intervenção estrangeira de 2011. E há forças políticas na Líbia, referidas pelo jornal Algérie Patriotique, que consideram que o encontro de Paris «obedece a agendas exteriores» e pode mesmo «agravar as divisões entre os líbios».




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