As listas…

Ângelo Alves

Como bem afirmou o PCP, o número de vítimas dos incêndios na zona do Pinhal Interior Norte deve ser clarificado, totalmente e sem equívocos. Uma clarificação que deve ocorrer nos sítios certos, com os métodos correctos e com profundo respeito. Como afirmámos ninguém contará com este Partido para chicanas políticas em torno de uma matéria tão sensível e séria. A agenda político-mediática montada pelo PSD e CDS-PP em torno da exigência de uma lista pública de óbitos, e a arrogância e violência com que foi alimentada, revela muito sobre a natureza política e métodos destes Partidos.

O desespero político de PSD e CDS é evidente, e cresce, com as eleições autárquicas a poucos meses. Tudo serve para tentar impor a agenda e a imagem do «caos» e incapacidade (ou talvez inutilidade?) do Estado, inclusive a morte de concidadãos. Assim foi com os falsos suicídios por falta de apoio psicológico em Pedrogão e assim foi agora com o lançamento da suspeita de que os mortos seriam muitos mais, base para a exigência da lista nominal. A lista já foi divulgada, aguarda-se agora a reacção do PSD e do CDS. Mas já que estamos numa de listas, deixa-se a estes partidos a sugestão da exigência de várias outras listas: das pessoas que durante o governo PSD/CDS perderam o seu emprego ou as suas casas; que foram forçadas a emigrar; que foram empurradas para a pobreza ou que morreram por falta de apoio médico em tempo útil, em virtude dos brutais cortes impostos no sector da Saúde.

Há que apurar todas as causas e responsabilidades (várias do próprio PSD e CDS) do incêndio de Pedrogão, disso não há dúvidas. Quem já visitou, como nós, aqueles concelhos, sabe que isso tem importância. Não para olhar para trás, mas para que aquelas gentes que estão a sofrer possam ter esperança no futuro e deixem de sentir a inquietação que perdura. É no apoio ao retomar da normalidade e ao rasgar de novos caminhos de desenvolvimento que o Estado português tem de mostrar que é capaz e de confiança.




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