Venezuela e Democracia
Os órgãos de comunicação social portugueses continuam, na sua esmagadora maioria e com honrosas excepções como a do «Avante!», empenhados na tarefa que lhes foi atribuída pelo dono: não ter limites na manipulação, distorção e mentira sobre a realidade venezuelana de forma a apresentar como democrática uma acção golpista e de ingerência contra a Venezuela e as suas instituições. A coisa vai intensificar-se até dia 30, data marcada para as eleições para a Assembleia Constituinte, já convocadas. A rejeição, pela oposição, de ir a votos, é apresentada como uma forma de resistência a um presidente que «está amarrado ao poder». As acções de boicote económico, de violência e de perversão do papel de um órgão de soberania, são apresentadas como luta pela democracia. Tudo o que a oposição fizer para boicotar uma solução democrática para a situação na Venezuela será apresentado como democrático, e tudo o que o legítimo governo fizer para defender a democracia e a soberania venezuelanas será apresentado como repressão, acção antidemocrática e ditatorial.
O seu a seu dono… Não nos espanta que assim seja. Os cemitérios ou valas comuns deste mundo estão pejados de cadáveres das lutas pela «democracia» do imperialismo. E vale mesmo tudo. Apesar de não conseguirem esconder o autêntico flop que foi a farsa provocatória apelidada de «plebiscito», a comunicação social dominante apressa-se a gerir os danos e a apresentar os resultados como uma reafirmação do apoio a Capriles. Pelo meio oculta-se que as actas dessa farsa eleitoral foram queimadas e escondem-se os testemunhos, inclusive em vídeo, que demonstram a encenação com «eleitores» a «votarem» várias vezes em várias «urnas» de voto. Mas sobre essa «democracia» nem uma palavra vemos nos nossos jornais. Estar ao lado da Venezuela Bolivariana é lutar pela democracia, esta é a verdade, por mais fel antidemocrático que a comunicação social e alguns comentadores cá do burgo vomitem todos os santos dias.