Venezuela e Democracia

Ângelo Alves

Os ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial por­tu­gueses con­ti­nuam, na sua es­ma­ga­dora mai­oria e com hon­rosas ex­cep­ções como a do «Avante!», em­pe­nhados na ta­refa que lhes foi atri­buída pelo dono: não ter li­mites na ma­ni­pu­lação, dis­torção e men­tira sobre a re­a­li­dade ve­ne­zu­e­lana de forma a apre­sentar como de­mo­crá­tica uma acção gol­pista e de in­ge­rência contra a Ve­ne­zuela e as suas ins­ti­tui­ções. A coisa vai in­ten­si­ficar-se até dia 30, data mar­cada para as elei­ções para a As­sem­bleia Cons­ti­tuinte, já con­vo­cadas. A re­jeição, pela opo­sição, de ir a votos, é apre­sen­tada como uma forma de re­sis­tência a um pre­si­dente que «está amar­rado ao poder». As ac­ções de boi­cote eco­nó­mico, de vi­o­lência e de per­versão do papel de um órgão de so­be­rania, são apre­sen­tadas como luta pela de­mo­cracia. Tudo o que a opo­sição fizer para boi­cotar uma so­lução de­mo­crá­tica para a si­tu­ação na Ve­ne­zuela será apre­sen­tado como de­mo­crá­tico, e tudo o que o le­gí­timo go­verno fizer para de­fender a de­mo­cracia e a so­be­rania ve­ne­zu­e­lanas será apre­sen­tado como re­pressão, acção an­ti­de­mo­crá­tica e di­ta­to­rial.

O seu a seu dono… Não nos es­panta que assim seja. Os ce­mi­té­rios ou valas co­muns deste mundo estão pe­jados de ca­dá­veres das lutas pela «de­mo­cracia» do im­pe­ri­a­lismo. E vale mesmo tudo. Apesar de não con­se­guirem es­conder o au­tên­tico flop que foi a farsa pro­vo­ca­tória ape­li­dada de «ple­bis­cito», a co­mu­ni­cação so­cial do­mi­nante apressa-se a gerir os danos e a apre­sentar os re­sul­tados como uma re­a­fir­mação do apoio a Ca­priles. Pelo meio oculta-se que as actas dessa farsa elei­toral foram quei­madas e es­condem-se os tes­te­mu­nhos, in­clu­sive em vídeo, que de­mons­tram a en­ce­nação com «elei­tores» a «vo­tarem» vá­rias vezes em vá­rias «urnas» de voto. Mas sobre essa «de­mo­cracia» nem uma pa­lavra vemos nos nossos jor­nais. Estar ao lado da Ve­ne­zuela Bo­li­va­riana é lutar pela de­mo­cracia, esta é a ver­dade, por mais fel an­ti­de­mo­crá­tico que a co­mu­ni­cação so­cial e al­guns co­men­ta­dores cá do burgo vo­mitem todos os santos dias.




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