«A proximidade foi a nossa melhor obra»
CONTINUIDADE Álvaro Beijinha é presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém desde 2013. Recandidata-se ao cargo pela CDU, e e conversa com o Avante! não escondeu a satisfação pelo trabalho realizado em condições extremamente difíceis como as impostas pelo governo PSD/CDS, o que valoriza ainda mais a obra e intervenção concretizadas.
«Esta é a forma de estar que caracteriza a CDU – na rua, com as pessoas»
Este mandato iniciou-se com o governo PSD/CDS. Quais as dificuldades colocadas às autarquias, e a Santiago do Cacém em particular?
As medidas impostas pelo anterior governo reduziram drasticamente a capacidade de intervenção das câmaras municipais, com cortes nas transferências da Administração Central e obrigatoriedade de reduzir pessoal. Os trabalhadores foram-se reformando. Os problemas avolumaram-se sem que tivéssemos a possibilidade de repor o efectivo.
Outro aspecto foi o atraso no acesso a fundos comunitários. O actual quadro iniciou-se em 2014, mas na prática só começou a surtir efeito no segundo semestre de 2016, traduzindo-se no deslizamento temporal de processos de candidatura e projectos que tínhamos programado para o início do mandato.
Houve inércia por parte do anterior governo, ao que acresce o facto de as próprias comissões de coordenação e desenvolvimento regional terem também sofrido cortes. Não tinham, e continuam a não ter, recursos humanos para «pôr a máquina a andar».
Como presidente de câmara, preferia chegar ao fim do mandato sem uma máquina na rua. Porém as circunstâncias foram estas, não outras.
Ainda assim, o que é que foi possível fazer? E como?
Por um lado, procedemos a uma reestruturação do município que nos permitiu ser mais ágeis na resposta e poupar alguns recursos. Por outro, aprofundámos a relação com as juntas de freguesia. Com elas investimos em obras de proximidade, designadamente de requalificação do espaço público. A proximidade é o que caracteriza o nosso mandato.
Contudo, não deixámos de avançar com obras estruturantes: a ligação entre a Aldeia e a Vila de Santo André, as ETAR, os investimentos na distribuição de água, o Skate Parque de Santo André (que segundo um ex-campeão nacional, justamente de Santo André, é um dos melhores senão o melhor do País), ou a requalificação da Rua Professor Egas Moniz, cujo objectivo é alterar a mobilidade e a vivência em Santiago do Cacém.
Os três relvados sintéticos concretizados não estavam planeados, mas não podíamos deixar de os fazer considerando tratar-se de uma oportunidade que, inclusivamente, mobilizou clubes e empresas. Planificadas estavam as obras nas escolas, casos das na n.º 3 e n.º 4 de Santo André, e na das Ermidas do Sado.
Ao nível da Educação, orgulhamo-nos da nossa intervenção. Todas as crianças têm a sua refeição escolar e todas têm transporte. Só somos obrigados a garantir transporte às crianças que vivem a mais de 3 km da escola ou do ponto onde passa o autocarro. Mas nós não ligamos aos km. Levamos as crianças a casa.
O complemento de apoio à família no pré-ecolar é totalmente gratuito, independentemente da condição económica das famílias. de resto, atribuímos verbas para apoio à compra de material escolar e didáctico no pré-escolar, apesar de não ser responsabilidade do município.
Neste mandato climatizamos todas as salas do pré-escolar e do 1.º Ciclo e instalámos computadores com ligação à Internet em todas as salas do pré-escolar, o que não é igualmente uma atribuição camarária.
Ao nível social lançámos o programa Engenhocas, que vai a casa das pessoas fazer aquelas pequenas obras que tantas vezes são incomportáveis no orçamento de um reformado. Para a qualidade de vida dos idosos, lançámos, ainda, um cartão municipal de descontos no comércio local.
Depois há a intervenção na cultura, lazer e desporto, quer por iniciativa municipal quer apoiando e trabalhando em parceria com os clubes e associações locais, como acontece com a mostra de teatro ou a prova de BTT entre Alvalade e Porto Covo.
Na nossa intervenção destaca-se ainda a promoção de dois festivais gastronómicos (da enguia e do tomate) e de feiras das tasquinhas nos mercados municipais, iniciativas que são autênticos sucessos reconhecidos pela população e pelos os comerciantes, que beneficiam desta dinâmica.
Num contexto de cortes o movimento associativo «levou por tabela», como se costuma dizer?
No nosso caso não só não diminuímos as verbas transferidas (quer apoios directos quer isenções de taxas) para o movimento associativo, como até aumentámos. Relativamente a apoio logístico (palcos, transportes, equipamentos diversos, etc.) então nem se fala.
O que é que ficou por fazer?
Não ficou muita coisa porque nos diferenciamos das outras forças políticas pelo rigor e a sobriedade na elaboração dos programas eleitorais. Evidentemente que obras de regeneração urbana em bairros na cidade de Santo André atrasaram-se devido à questão dos fundos comunitários.
Para mim, no entanto, a proximidade foi nossa melhor obra. Deslocámo-nos a todas as freguesias e à maioria dos lugares do concelho. Anunciávamos onde e quando íamos. Visitámos associações, instituições e empresas. Falámos e ouvimos a população, num contacto directo em que aprendemos muito, que nos permitiu acolher inúmeras sugestões e críticas e proceder a alterações.
Esta é a forma de estar que caracteriza a CDU – na rua, com as pessoas. Não é apenas mais sério como é mais rico, pois quando chegamos à altura de elaborar um orçamento, no fundamental, já temos identificadas as necessidades, permitindo-nos fazer escolhas mais sustentadas e conscientes, e assumir opções tendo em conta a opinião da população, os seus anseios e aspirações.