Assis a caminho da desonestidade

Margarida Botelho

A desonestidade intelectual não tem limites. E quem inicia esse percurso tem dificuldade de voltar atrás. Vem esta reflexão a propósito do artigo de Francisco Assis dedicado à Venezuela.

Assis refere-se à acção de solidariedade com a Venezuela realizada na véspera em Lisboa. Diz que enquanto «um grupo de comunistas mascarados de membros do há muito descredibilizado Conselho Português para a Paz e Cooperação saudavam o patético regime venezuelano, em Caracas milícias armadas ao serviço de Nicolas Maduro e da súcia que o acompanha invadiram o Parlamento e agrediram violentamente vários deputados que integram a maioria parlamentar que se opõe às tendências despóticas (…)». Assis acrescenta, quase em choque, que os «intrépidos comunistas» estavam acompanhados por representantes da Câmara de Lisboa e pela banda do exército.

É difícil mostrar de quantas formas está errado o texto de Assis, ainda por cima escrito com o preconceito anticomunista a toldá-lo. Mas há factos que não têm discussão: o CPPC é um movimento de opinião pública herdeiro do movimento da paz em Portugal desde os anos 50, com um elevado nível de actividade em todo o País e reconhecido no plano mundial. A caricatura da ligação mascarada ao PCP cheira tanto a bafio porque já é repetida desde os anos 50. O «regime» venezuelano condenou o ataque ao Parlamento, tal como qualquer «regime» do mundo faria. A Banda do Exército português interpretou os hinos dos dois países, como decerto fará em dezenas de sessões solenes organizadas pelas diversas embaixadas nos respectivos dias nacionais. A Assis interessará pouco, mas 5 de Julho é o dia nacional da Venezuela.

Assis queria escrever coisas que encaixassem na versão do mundo que os interesses dos EUA querem impor. Se de caminho pudesse dizer mal do PCP, melhor. Compreende-se. Mas para a próxima tem que martelar mais as mentiras para se parecerem mais com verdades.

 



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