A PT não está acima da lei

Vasco Cardoso

A PT continua a dar que falar enquanto exemplo do poder dos grupos monopolistas em Portugal. Agora são os milhares de despedimentos que querem concretizar por todo o País. O objectivo da redução de 3 mil trabalhadores e da «libertação» de outros 3 mil pré-reformados é assumido pela multinacional francesa Altice.

A PT, essa, que outrora foi a maior empresa nacional, que foi arrancada ao povo português durante as privatizações – incluindo a derradeira decisão da eliminação da chamada Golden Share logo no início do último governo PSD/CDS – tornando-se na estrela da bolsa, que foi objecto de negócios obscuros envolvendo o Grupo BES e outros, que usurpou o Estado de milhares de milhões de euros em impostos não pagos, incluindo os que seriam devidos das mais-valias da venda da participação na VIVO – operadora brasileira – à Telefónica por 7500 milhões de euros e adquirida 12 anos antes por 1000 milhões, que está a desinvestir na infraestruturas e equipamentos nacionais de telecomunicações que gere/detém, essa mesma, que se comporta em Portugal, como se não existissem nem leis, nem Constituição, mas apenas a vontade do capital.

Nesta altura, o «departamento de recursos humanos» está a bombar: trabalhadores encostados em salas sem tarefas atribuídas; trabalhadores empurrados para empresas recém-criadas, detidas pelo grupo, visando a eliminação de direitos que facilitem a «extinção do posto de trabalho»; trabalhadores que são pressionados a rescindir. O plano está em marcha: «emagrecer a estrutura», «ganhar valor», retalhar e vender à frente.

Estas decisões e este poder por parte da PT/Altice, não seriam possíveis sem a cumplicidade de todos quantos fizeram e fazem sua a política de direita, alguns deles que circularam entre a banca, a PT e os governos do PS, PSD e CDS. Sem uma UE, a mesma que não tolera que uma rede de pesca apanhe uma petinga, mas que perante os tubarões que abocanham os recursos e empresas nacionais, concede-lhes os enquadramentos, as directivas e os fundos comunitários.

Não faltará a denúncia, o combate e a solidariedade dos comunistas mas será a luta dos trabalhadores o elemento decisivo para travar uma ofensiva sobre a qual o actual governo continua a assobiar para o ar.

 



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