Os planeamentos
A tragédia dos incêndios que se abateu sobre o nosso País vai-se anunciando de ano para ano num crescimento silencioso, constante e eminentemente fatal.
Este ano a tragédia começou em Pedrógão Grande e veio em forma de hecatombe, com 64 vítimas mortais e mais de uma centena de feridos, agravada pela ocorrência de condições atmosféricas inusitadas e particularmente devastadoras, nomeadamente ventos de grande violência agindo directamente nas linhas de fogo e vitimando dezenas de pessoas nas estradas onde fugiam à calamidade.
A gravidade da catástrofe pôs à prova a prontidão e a coordenação dos meios de combate aos incêndios e de auxílio às vítimas, bem como a hierarquia de quem tutela os serviços que integram a Protecção Civil e os serviços de socorro em geral. No meio dos balanços que se vão realizando, vai-se impondo a necessidade de análises profundas das situações ocorridas nos incêndios, de que importa tirar conclusões e decisões políticas. Recorde-se que, estes, são apenas os primeiros incêndios deste início de Verão.
A exploração política da desgraça vai fazendo o caminho do costume, mas ninguém responde às responsabilidades directas que sucessivos governos têm na promoção de políticas que, ao longo de décadas, incentivaram (e até pagaram, com dinheiros da União Europeia) o abandono de culturas, de campos, da pastorícia e da própria acção agrícola, a par de uma actividade florestal irracional, incrementada abundantemente pelo próprio poder político, que teve o seu ponto alto na promoção da plantação do eucalipto por Mira Amaral, ministro da Indústria e da Energia do segundo governo de Cavaco Silva, chamando-lhe o «petróleo verde» do nosso País, sem ninguém desconfiar que se preparava a disseminação intensiva da plantação do eucalipto (por muitos considerado um «vampiro da água» nos terrenos onde é plantado e que, em 10 anos apenas, saltou de três por cento do território ocupado para 23%).
Tudo a favor duma emergente indústria da celulose, hoje com grande influência na gestão florestal do País.
Paralelamente, a desertificação do interior entretecida ao longo dos vários governos pela crescente escassez de serviços públicos (tribunais, centros de saúde, correios, bancos, etc.), de esmorecimento da actividade agrícola e industrial, de desemprego, enfim, em mancha de óleo pelo território, conduziram o interior e a floresta a um desordenamento muito preocupante.
É crucial que se acorra às vítimas com ajudas concretas e regeneradoras, que se reponha o quotidiano, que se analise, detecte e se emende as falhas ocorridas no desastre.
É fundamental que se aplique os estudos e as leis sobre a floresta e o seu ordenamento – que os planeamentos há muito no papel passem, finalmente, para o terreno concreto do território.
Este ano a tragédia começou em Pedrógão Grande e veio em forma de hecatombe, com 64 vítimas mortais e mais de uma centena de feridos, agravada pela ocorrência de condições atmosféricas inusitadas e particularmente devastadoras, nomeadamente ventos de grande violência agindo directamente nas linhas de fogo e vitimando dezenas de pessoas nas estradas onde fugiam à calamidade.
A gravidade da catástrofe pôs à prova a prontidão e a coordenação dos meios de combate aos incêndios e de auxílio às vítimas, bem como a hierarquia de quem tutela os serviços que integram a Protecção Civil e os serviços de socorro em geral. No meio dos balanços que se vão realizando, vai-se impondo a necessidade de análises profundas das situações ocorridas nos incêndios, de que importa tirar conclusões e decisões políticas. Recorde-se que, estes, são apenas os primeiros incêndios deste início de Verão.
A exploração política da desgraça vai fazendo o caminho do costume, mas ninguém responde às responsabilidades directas que sucessivos governos têm na promoção de políticas que, ao longo de décadas, incentivaram (e até pagaram, com dinheiros da União Europeia) o abandono de culturas, de campos, da pastorícia e da própria acção agrícola, a par de uma actividade florestal irracional, incrementada abundantemente pelo próprio poder político, que teve o seu ponto alto na promoção da plantação do eucalipto por Mira Amaral, ministro da Indústria e da Energia do segundo governo de Cavaco Silva, chamando-lhe o «petróleo verde» do nosso País, sem ninguém desconfiar que se preparava a disseminação intensiva da plantação do eucalipto (por muitos considerado um «vampiro da água» nos terrenos onde é plantado e que, em 10 anos apenas, saltou de três por cento do território ocupado para 23%).
Tudo a favor duma emergente indústria da celulose, hoje com grande influência na gestão florestal do País.
Paralelamente, a desertificação do interior entretecida ao longo dos vários governos pela crescente escassez de serviços públicos (tribunais, centros de saúde, correios, bancos, etc.), de esmorecimento da actividade agrícola e industrial, de desemprego, enfim, em mancha de óleo pelo território, conduziram o interior e a floresta a um desordenamento muito preocupante.
É crucial que se acorra às vítimas com ajudas concretas e regeneradoras, que se reponha o quotidiano, que se analise, detecte e se emende as falhas ocorridas no desastre.
É fundamental que se aplique os estudos e as leis sobre a floresta e o seu ordenamento – que os planeamentos há muito no papel passem, finalmente, para o terreno concreto do território.