EUA criam tensão no Corno de África

Carlos Lopes Pereira

Conflitos fronteiriços no Corno de África fomentados pelos Estados Unidos provocam o aumento da instabilidade política e militar na região.

A União Africana exortou o Djibuti e a Eritreia «à calma», depois de o governo djibutiano ter acusado Asmara de aproveitar a retirada das tropas do Qatar para ocupar uma área fronteiriça disputada por ambos os países.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Djibuti, Mahamoud Ali Youssouf, acusou forças eritreias de terem ocupado Ras Dumeira, território reivindicado pelos dois vizinhos, e revelou que o dispositivo militar do seu país foi colocado em estado de alerta.

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, anunciou que mantém contactos com as autoridades de Djibuti e Eritreia e que a organização está disponível para enviar uma missão de observação.

O Qatar comunicou no dia 14 a retirada do seu contingente da área disputada por Djibuti e Eritreia, pouco depois de os dois países terem apoiado a Arábia Saudita e os seus aliados no conflito político que os opõe a Doha. A seguir à recente visita do presidente Trump à Arábia Saudita, Riad acusou o pequeno mas rico emirado do Golfo de apoiar o «terrorismo islâmico» e de ter estabelecido uma aliança com o Irão.

Também o Conselho de Segurança das Nações Unidas agendou uma discussão à porta fechada sobre o assunto. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, classificou este problema como «um exemplo das repercussões» das divergências entre a Arábia Saudita e o Qatar.

A força de manutenção da paz do Qatar encontrava-se no terreno desde 2010, depois de anos de escaramuças ao longo da fronteira entre tropas do Djibuti e da Eritreia e de ambas as partes terem aceitado a mediação «neutral» de Doha.

Os dois países desavindos, situados à entrada do Mar Vermelho, mantêm relações diferentes com as potências estrangeiras. O Djibuti acolhe bases militares dos Estados Unidos e da França e também a China está a construir no pequeno país uma base logística. Por outro lado, pelo seu porto passam as importações e exportações da Etiópia, inimiga da Eritreia – que não goza das simpatias do Ocidente.

Ainda recentemente, o presidente da Eritreia, Isaías Afwerki, responsabilizou os EUA por arquitectarem um clima de tensão ao logo da fronteira etíope-eritreia. Numa carta a alguns chefes de Estado africanos, apelou a que pressionassem o Conselho de Segurança a abordar «as injustiças cometidas contra a Eritreia».

Afwerki sugere que Washington fomenta a tensão regional para mais facilmente intervir no Nordeste da África. Ali, na Somália, em guerra há um quarto de século, tropas norte-americanas e da União Africana, financiadas por potências ocidentais, combatem a guerrilha do al-Shebab. Os EUA acusam Asmara de apoiar os rebeldes.

A Eritreia reconquistou a sua independência em 1993, depois de uma longa luta armada contra a Etiópia. Os dois países voltaram a confrontar-se em1998 por divergências sobre o traçado das suas fronteiras. Em 2003 assinaram, em Argel, um acordo de paz mas têm vivido num clima de tensão permanente.



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