Governo insiste em «opções erradas» na expansão do Metropolitano de Lisboa

ECONOMIA O PCP acusa o Governo de insistir em «opções erradas» ao decidir-se por uma linha circular do Metro que pouco acrescenta e ao adiar a expansão da rede para a Zona Ocidental da cidade e para Loures.

O Metro deve servir a zona Ocidental de Lisboa e Loures

Num comunicado do Sector dos Transportes da Organização Regional de Lisboa, de 8 de Maio, o PCP comenta o «plano de expansão da rede do Metropolitano» apresentado nesse mesmo dia pelo Governo, garantindo que ele se reduz, na prática, à decisão de concretizar uma linha circular entre o Cais do Sodré e o Campo Grande, com a construção de duas novas estações (Estrela e Santos) e a aquisição de material circulante novo.

A reconversão parcial das actuais linhas Verde e Amarela numa linha circular constitui, para os comunistas, uma «opção errada, contestada tecnicamente por muitos especialistas e que tem sido preterida na maioria das redes de Metropolitano». Esta obra, acrescenta o Partido, vai «canalizar os poucos recursos disponíveis para uma obra que não faz falta nem acrescenta nada de significativo à rede de Metropolitano». Segundo o PCP, a linha circular entre Cais do Sodré e Campo Grande «exige a realização de uma grande obra de infra-estrutura na estação do Campo Grande para acomodar as alterações que implicam passar a integrar a linha circular e simultaneamente receber uma estação da ligação directa entre Telheiras e Odivelas».

Os comunistas realçam ainda que os investimentos necessários são «muito acima da média, face às enormes pendentes entre a Estrela e Santos e face à complexidade de qualquer intervenção no trecho da 24 de Julho, entre Santos e o Cais do Sodré (basicamente alagado) ou de precárias condições de fundação desta obra subterrânea na proximidade do rio Tejo».

A obra que falta

Na opinião do PCP, a opção do Governo é errada ainda pelo facto de implicar o adiamento da expansão da rede para a Zona Ocidental de Lisboa. Para os comunistas, a prioridade neste momento deveria ser dada à expansão da Linha Vermelha até Alcântara bem como a ligação da rede ao concelho de Loures.

No comunicado, o Partido denuncia ainda o favorecimento que o Governo faz à propaganda eleitoral do PS em Lisboa, ao anunciar «sem data de início, sem estudos e sem quaisquer investimentos alocados, a expansão da Linha Vermelha até às Amoreiras». Este anúncio lembra um outro, feito há precisamente oito anos, por um outro governo do PS, que prometia a expansão do Metro e a ligação a Oeiras e Loures. Este plano não só nunca foi executado como a sua concretização nunca chegou a ser seriamente ponderada, «pois o mesmo destinava-se essencialmente a dar cobertura à campanha eleitoral do PS».

Sobre o adiamento da extensão da rede até ao concelho de Loures, o Partido condena a «gestão eleitoralista de dossiers tão importantes» e exige que esta expansão receba a «necessária prioridade no quadro dos investimentos públicos».

O PCP defende ainda a contratação de mais operários e maquinistas e o necessário investimento na manutenção, ao mesmo tempo que denuncia a ausência de parecer prévio do Conselho Consultivo da empresa para as obras anunciadas, o que é ilegal. Para o Partido, os investimentos estruturantes na rede metropolitana de transportes públicos «não podem continuar a ser tratados desta forma desconexa e alimentada por dinâmicas e calendários eleitorais». Pelo contrário, a rede do Metropolitano deve ser definida de forma articulada com outros transportes e infra-estruturas.




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