Comunistas de Almada homenagearam Alex e o seu exemplo de abnegação e entrega

EVOCAÇÃO Alfredo Dinis (Alex) foi homenageado no dia 12 em Almada, terra onde trabalhou e militou activamente no PCP, por ocasião do centenário do seu nascimento. A exposição inaugurada nesse dia está patente até amanhã, 19.

Alex trabalhou em Almada e foi responsável pelo Comité Local

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A sessão evocativa decorreu no átrio da centenária Academia Almadense e contou com a actuação musical de Luísa Basto, a projecção de um vídeo alusivo à vida, à luta e ao assassinato pelo fascismo do histórico dirigente comunista, e a intervenção de Manuela Bernardino, da Comissão Central de Controlo do Partido. Na ocasião foi reconhecida a importância da decisão dos membros das comissões democráticas administrativas da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Almada, logo após o 25 de Abril, de atribuir o nome de Alfredo Dinis (Alex) ao largo de Cacilhas: ali se situava o estaleiro das Parry & Son, onde Alex foi operário e militante da respectiva célula do Partido, que dirigiu.

A exposição então inaugurada combina textos, imagens e objectos que remetem para a vida de operário e revolucionário de Alfredo Dinis e para a constante e combativa intervenção do PCP para o alargamento e intensificação da luta dos trabalhadores e do povo contra o fascismo, pela liberdade e a democracia.

Manuela Bernardino, na sua intervenção, sublinhou o «revolucionário firme e abnegado, filho da classe operária, destacado dirigente do PCP» que foi Alfredo da Assunção Dinis, que seria conhecido pelos seus camaradas como Alex, nome que assumiu quando passou à clandestinidade. As condições difíceis em que cresceu, o trabalho desde criança, a violência fascista e a dramática situação internacional que se vivia em meados dos anos 30 do século XX contribuíram para a opção de Alfredo Dinis – nasceu poucos meses antes da grande revolução socialista de Outubro – em se tornar comunista, primeiro nas fileiras da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, mais tarde nas do Partido.

Alegria e modéstia

Dedicando grande parte da sua intervenção à ligação de Alex a Almada, Manuela Bernardino lembrou o trabalho na Parry & Son, a responsabilidade que assumiu pelo Comité Local de Almada em 1940/41, a sua participação destacada na dinamização das greves de Novembro e Dezembro de 1942, em que participam 20 mil trabalhadores da região de Lisboa e o papel de direcção que assumiu nas greves de Julho e Agosto de 1943. Detendo-se nestas últimas, a dirigente do PCP recordou que elas abrangeram a quase totalidade do operários industriais da região de Lisboa e da margem Sul (qualquer coisa como 50 mil trabalhadores em luta).

Pela sua destacada participação nestas lutas, Alfredo Dinis passou à clandestinidade e foi eleito, no III Congresso do Partido (I ilegal), realizado no final desse ano, para o Comité Central. No ano seguinte, teve uma vez mais um papel preponderante na preparação, direcção e realização das jornadas de 8 e 9 de Maio de 1944, integrando o Comité Dirigente da Greve juntamente com Dias Lourenço, Gui Lourenço, Joaquim Campino e Sérgio Vilarigues, que respondia directamente a Álvaro Cunhal e José Gregório, do Secretariado.

Alfredo Dinis, lembrou ainda Manuela Bernardino, foi «traiçoeiramente assassinado, quando se dirigia para um encontro clandestino. Tinha 28 anos e a alegria e a modéstia de quem se entrega à luta».




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