Exploração máxima

Manuel Gouveia

Na sexta-feira, uma delegação do PCP prestava solidariedade a um conjunto de trabalhadores da Escola de Condução Venezuela, cujo patrão, culminando um longo processo que inclui meses de salários em atraso e todo o tipo de manobras, acabava de encerrar a actividade para a devolver ao Grupo «Segurança Máxima» sem trabalhadores.

Uma primeira reflexão reside no facto de estarmos na Rua República da Venezuela em Benfica, e por isso toda a comunicação social optou por silenciar o processo de que aqueles trabalhadores estavam a ser vítimas e que tentam há meses denunciar publicamente. Fosse um qualquer acontecimento falso na República Bolivariana da Venezuela e teriam honras de abrir todos os telejornais.

Uma segunda reflexão sobre o que este processo revela da liberalização em curso nas escolas de condução. Ali à porta da empresa os trabalhadores mostraram-nos as queixas à ACT e ao IMT, relataram-nos sobre a cumplicidade factual destas autoridades com a exploração, mostraram-nos a forma como os grandes grupos impõe ritmos ilegais de trabalho, como se salta as obrigações legais de qualidade do ensino, como se atrai os clientes com preços abaixo do custo de produção e se garante o lucro dos patrões com uma crescente exploração e com a subida das taxas de reprovação, e como os centros de inspecção são castigados se não cumprirem as «metas» ilegais impostas pelos grandes patrões. E como as «Autoridades reguladoras» nada investigam nem apuram, limitando-se a, quando pressionadas, umas respostas redondas assentes na audição dos grandes patrões e na recusa de ouvir os trabalhadores. E como o poder político é utilizado pelo capital para aplanar o caminho e permitir-lhe aumentar a exploração e a concentração, como alertou o PCP há três anos aquando da aprovação das alteração ao Regime Jurídico das Escolas de Condução.

É preciso romper com este caminho!




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