Trabalhadores da Alitalia recusam plano de cortes

AVIAÇÃO Os trabalhadores da companhia aérea italiana Alitalia rejeitaram o plano de redução de custos submetido a consulta pela administração.

Trabalhadores recusam chantagem e exigem negociações

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A maioria dos trabalhadores que participou na votação pronunciou-se contra o plano que prevê a extinção de 2437 empregos e uma redução média de salários de oito por cento, atingindo 28 por cento para os pilotos e 32 por cento para as hospedeiras e comissários de bordo.

No sufrágio, realizado entre os dias 20 e 24 de Abril, participaram cerca de 90 por cento dos 12 500 trabalhadores da empresa. O «Não» venceu com 65,7 por cento dos votos, apesar das fortes pressões exercidas nas últimas semanas pelo governo italiano, segundo o qual não haveria alternativa ao plano e que, em caso de resposta negativa dos trabalhadores, a empresa seria liquidada.

O chefe do governo italiano, Paolo Gentiloni, foi claro a este respeito: «Sei que se exige sacrifícios aos trabalhadores, mas sem acordo sobre o novo plano industrial, a Alitalia não poderá sobreviver», declarou o primeiro-ministro, dois dias antes do final da consulta.

Por seu turno, o ministro do Desenvolvimento Económico, Carlo Calenda, repisou: «Aqueles que esperam uma intervenção do Estado iludem-se». Caso o acordo seja rejeitado, «haverá apenas um breve período de administração extraordinária, cerca de seis meses, seguindo-se o processo de liquidação da companhia».

Recusando a intervenção do Estado, Calenda reconheceu que a própria liquidação da empresa custará «mais de mil milhões de euros» ao erário público, sobre o qual recairão todos os custos associados.

Companhia de bandeira do país transalpino durante 70 anos, a Alitalia está hoje nas mãos da transportadora Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos, que detém 49 por cento do capital, e de vários bancos italianos, designadamente o Unicredit (11%) e o Intesa Sanpaolo (20,5%).

Privatizada parcialmente em 2006 pelo governo de Romano Prodi, a companhia foi objecto de sucessivas reestruturações, fusões fracassadas e «curas» de emagrecimento. Desde então perdeu perto de metade dos trabalhadores, sem nunca deixar de acumular prejuízos.

Actualmente, continua a ser a maior companhia aérea italiana, dispõe de 121 aviões e transporta cerca de 22,6 milhões de passageiros por ano.

O novo plano da administração visava aproximar a empresa do modelo «low-cost», reduzindo ao mesmo tempo a sua dimensão.

Depois do «Não» dos trabalhadores, a União Sindical de Base (USB) exigiu em comunicado a «reabertura imediata das negociações».




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