Coimbra a pente fino nas visitas e encontros das Jornadas Parlamentares do PCP

Populações exigem de volta o comboio

«Foi um assalto que nos fizeram». O desabafo de Manuel Francisco ao «Avante!», antigo operador de manobras da CP, hoje reformado, traduz bem o sentimento que perpassa nas populações dos concelhos servidos pela centenária linha ferroviária do Ramal da Lousã e que a viram desactivar em 2010, com a promessa de uma alternativa melhor que se revelou um logro.

Na manhã do passado dia 11, também ele quis estar presente e juntar-se ao grupo de representantes dos Movimentos de Defesa do Ramal da Lousã que se avistou com a comitiva de deputados comunistas e jornalistas. O ponto de encontro foi junto à estação do interface ferroviária da Lousã, hoje o retrato de anos a fio de desinvestimento na ferrovia, numa imagem de abandono bem estampada nos seus magníficos painéis de azulejos do pintor Jorge Colaço (1868-1942) protegidos do alheio por taipais que desfiguram o edifício.

«Ramal centenário, merece respeito», «Não nos tramem mais a vida, reponham a ferrovia», eram algumas das frases inscritas em pancartas empunhadas pelos presentes, podendo ler-se ainda em letras garrafais a preto num grande pano branco «Comboio da Lousã, 100 anos, devolvam o que nos roubaram».

Em comum nas breves intervenções dos representantes dos movimentos de defesa do Ramal da Lousã (Álvaro Francisco, António Luís Mendes e Maria Celeste), a vontade de prosseguirem firmes na luta pelo regresso das composições ao Ramal da Lousã, com a sua componente de transporte de mercadorias e de ligação à rede ferroviária nacional.

Essa é a vontade e a exigência das populações da Lousã, Serpins, Mirando do Corvo e Coimbra, sabendo como sabem por experiência própria que só a ferrovia satisfaz as suas necessidades de mobilidade e garante condições para o desenvolvimento económico.

E não esquecem sobretudo que este Ramal a que chamam seu - que servia uma região com mais de 50 mil habitantes e que registava mais de um milhão de utentes por ano - garantia 17 vezes por dia, em menos de uma hora, a ligação entre Serpins e a estação Coimbra-Parque.

Em tudo diferente do que é hoje, com o tempo de percurso de autocarro a ser muito superior e a viagem, contrastando com a beleza do relevo movimentado, a revelar-se naquele percurso sinuoso um verdadeiro calvário.

Foram essas condições de ineficiência e desconforto que os jornalistas e deputados puderam sentir e testemunhar no regresso a Coimbra.

«Estávamos bem servidos; agora estamos mal», lamenta-se quem tem de fazer duas a três vezes por semana o percurso até Padrão, de seu nome Maria Costa, que ao nosso jornal garante que «até as antigas automotoras serviam bem melhor do que estes autocarros».

Da mesma opinião é Tiago Carvalho, 17 anos, a estudar programação e computadores na Avelar Brotero, em Coimbra, e que diariamente consome mais de três horas da sua vida para ir às aulas e voltar. Levanta-se às 6h15, apanha em Serpins o autocarro das 7h00, regressa à noite no das 20h15. «Com alguma frequência os autocarros avariam», «andam muitas vez com atraso», além de que o autocarro é «mais caro», queixa-se, dizendo recordar-se bem de como era «bem melhor a viagem de 40 minutos no comboio».

É esta percepção e a consciência do que representou o desmantelamento da linha ferroviária, a pretexto do investimento da solução do Metro de superfície, que hoje é partilhada pelas populações da região e que esteve presente com força e determinação nas palavras dos que na Lousã se dirigiram ao líder parlamentar comunista, João Oliveira, de quem receberam uma certeza: podem continuar a contar com a activa solidariedade e o apoio do PCP à sua justa luta.

Uma luta que no imediato passa pelo cumprimento da Resolução proposta pelo PCP e aprovada na AR - e publicada no passado dia 3 de Abril em Diário da República - onde se recomenda a reposição, modernização e electrificação da linha do Ramal da Lousã.

Questionar o Governo sobre o momento em que pensa concretizar as medidas aprovadas nessa Resolução, assegurando assim condições para o transporte ferroviário de passageiros e também de mercadorias, foi entretanto o que fez já a bancada comunista, cumprindo o que saiu das suas Jornadas.



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Foi essa marca distintiva que voltou a enriquecer a análise e as decisões tomadas nesses dois dias de trabalho, de onde saíram mais experiência e melhor conhecimento sobre a região de Coimbra, que não deixará de ser incorporada na acção futura da bancada comunista no Parlamento. É desse amplo conjunto de contactos e visitas efectuados, bem como das conclusões apuradas, que se fala nesta e nas páginas seguintes.

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