O «dia das mentiras»

Carlos Gonçalves

Carlos Gonçalves

Antes do 25 de Abril, no combate ao fascismo, havia consciência da falsidade da generalidade das notícias da comunicação social do grande capital e dos latifundiários, apoiada no «exame prévio» da sua ditadura terrorista.

A experiência dizia que se o fascismo ditava, representava, publicava, ou escrevia o que quer que fosse, a verdade era o contrário do que afirmava. E sabíamos disso ainda antes de chegar clandestinamente o número mais recente do Avante!, ou até os indícios da realidade que na resistência antifascista – na luta, na cultura, no jornalismo –, gritavam a verdade contra a mordaça.

Vem isto a propósito de na madrugada deste 1 de Abril ter passado num canal de TV por cabo o filme «Guernica», em que o massacre hediondo pela força aérea nazi, em 1937, daquela cidade basca é manipulado e subvertido pelo guião de um romance patético, entre o inevitável herói norte-americano e a bela ingénua, vítima do KGB. Resulta um execrável vómito anticomunista.

Daqui nasceu a urgência de apurar, além dos enlatados de Hollywood, o que constaria da comunicação social dominante nesse «dia das mentiras». E eis que se confirmou, sem surpresa, que, por caminhos mais sofisticados e tecnológicos e de formas menos terroristas, os meios audiovisuais de comunicação destilam hoje, não as mesmas, mas tantas mistificações e falsidades como no fascismo.

Em dia de Congresso da JCP, os «jornais de referência» decidem que esse facto não existe e as televisões passam quanto podem ao lado da imagem – que não pode existir, porque não encaixa na ideologia mediática autorizada – de centenas de jovens que assumem o ideal e projecto comunista.

Esta ocultação brutal, para censurar o PCP, não hesita em usar o que possa servir, sendo o BE, para este efeito, o biombo mais óbvio, útil e disponível.

É preciso avisar toda a gente. A comunicação social dominante é um instrumento do anticomunismo e da dominação política e ideológica do grande capital, em permanente «dia das mentiras».




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