Acção com resultados
A Mitsubishi, no Tramagal, e a Ar Líquido, em Sines, com aumentos salariais que chegam a 260 euros, sobressaem numa informação da Fiequimetal/CGTP-IN sobre resultados da acção reivindicativa em empresas da indústria no Sul e no Centro.
Fica comprovada a importância da acção organizada dos trabalhadores
A Mitsubishi Fuso Truck Europe (actual denominação da fábrica de camiões ligeiros comerciais do Tramagal, que faz parte do Grupo Daimler), passou a ter este mês um salário de entrada de 800 euros, por efeito de um aumento de 100 euros, que abrange 27 trabalhadores.
Para a maior parte dos trabalhadores, que auferiam entre 801 e 1600 euros, o aumento salarial foi de 70 euros. Para 12 trabalhadores com salários acima de 1600 euros, os aumentos foram de 50 ou 30 euros.
Foi posto termo à «bolsa» de horas, refere-se ainda na informação que foi publicada esta segunda-feira pela Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas.
«Estas decisões, anunciadas antes do Natal, não foram uma oferta patronal», assinala a Fiequimetal, lembrando que «ainda estavam sem resposta importantes reivindicações apresentadas para 2015 e 2016», que «durante estes anos, ocorreram greves e concentrações na portaria» e que «vários trabalhadores evidenciaram resistência a trabalhar ao sábado, com acréscimo de apenas 100 por cento».
Para a União dos Sindicatos de Santarém, os aumentos salariais «não podem ser dissociados da luta que recentemente os trabalhadores da Mitsubishi no Tramagal levaram a cabo, pela revisão do pagamento do trabalho extraordinário aos sábados».
A estrutura distrital da CGTP-IN, numa nota à comunicação social, releva a «especial importância» da decisão da administração, pois «o presidente da Mitsubishi no Tramagal é igualmente o presidente da associação patronal» (ACAP), «esperando-se assim que os seus pares sejam coerentes com o exemplo».
Este caso foi igualmente destacado pelo Secretário-geral da CGTP-IN, no Plenário Nacional de Sindicatos, dia 12.
Por acordo com a administração, negociado pelo sindicato (SITE Sul) no seguimento das reivindicações apresentadas, os trabalhadores da Ar Líquido alcançaram aumentos salariais, entre 180 e 260 euros, e de 2,5 por cento em todas as matérias pecuniárias.
O subsídio de prevenção subiu 90 euros (de 170 para 260) e todos os trabalhadores foram reclassificados de Especialista para Técnico.
Um acréscimo mínimo de 50 euros na remuneração mensal ficou garantido, pela negociação do caderno reivindicativo para 2017, na SMP - Samvardhana Motherson Peguform (fornecedora da Volkswagen Autoeuropa). O acordo, para vigorar até 1 de Março de 2019, prevê um aumento salarial de dois por cento (mínimo de 25 euros) e uma actualização das tabelas salariais no valor de 25 euros.
Um «prémio de objectivos», para todos os trabalhadores, no valor de cinco por cento do vencimento-base bruto anual, tem um valor mínimo de 600 euros.
A atribuição de três dias adicionais de férias repõe a majoração retirada do Código do Trabalho. O trabalho suplementar implica descanso compensatório (25 por cento) e acréscimos remuneratórios de 200 por cento, em dia de descanso semanal obrigatório ou complementar, e de 150 por cento, nos feriados. Nos demais dias, acresce 50 por cento, na primeira hora, 75 por cento, na segunda hora, e 100 por cento, na terceira hora e seguintes.
Precariedade vencida
Dez trabalhadores com contratos temporários passaram para os quadros da Gestamp. O acordo alcançado na fábrica de Vendas Novas, para este ano, inclui um compromisso patronal de não realizar despedimentos, bem como uma actualização salarial de 30 euros e aumentos do subsídio de refeição e do trabalho suplementar prestado aos sábados, domingos e feriados.
Na informação da Fiequimetal refere-se ainda que, entre Setembro e Dezembro de 2016, 60 trabalhadores contratados através de trabalho temporário passaram, com contratos a prazo, para os quadros da Algar (valorização e tratamento de resíduos sólidos) e 30 deles estão já efectivos. Passou a ser atribuído um subsídio de turno, equivalente a dez por cento da remuneração-base.
Também na refinaria de Sines da Petrogal, depois de uma intervenção do sindicato junto da ACT, cerca de 60 trabalhadores que tinham vínculos precários passaram a efectivos.