Duas vezes «não» na Autoeuropa

«Ficamos a saber quanto vale um “sim” e quanto vale um “não” dos trabalhadores da Autoeuropa», porque «quando os trabalhadores dizem “sim”, surgem as notícias na comunicação social, são elogiados e surgem os campeões do diálogo», mas no processo de negociação das condições salariais para 2017 houve «silêncio total da comunicação social».

Esta pertinente observação é feita n’ O Faísca, boletim da célula do PCP na Autoeuropa, em distribuição esta semana, a propósito da actualização salarial anunciada dias antes pela administração.

Os trabalhadores comunistas recordam que, em Julho de 2016, foi aprovado em plenário um caderno reivindicativo e a Comissão de Trabalhadores ficou mandatada para negociar. Após «um largo período» de negociações, um «pré-acordo» foi colocado à consideração em plenário de trabalhadores e a comissão sindical do SITE Sul (da Fiequimetal/CGTP-IN) «levantou várias questões, incluindo os valores salariais».

Em votação referendária, prática instituída na empresa alemã, os trabalhadores viriam a reprovar o que lhes foi apresentado como resultado da negociação entre a CT e a administração. A 14 de Novembro, foram contados 944 votos «sim» (39,8 por cento) e 1393 votos «não» (58,8 por cento). Um mês depois, a 14 de Dezembro, os votos «sim» subiram para 1228 (45,9 por cento), mas também aumentaram, para 1410 (52,7 por cento), os votos «não».

N’ O Faísca assinala-se que, após a primeira reprovação, «as negociações são retomadas e são melhorados os valores salariais». Feita a segunda votação, seguiram-se «algumas alterações que correspondiam aos anseios dos trabalhadores, incluindo a retroactividade a partir de 1 de Outubro».

Mas não voltou a ser promovida nova consulta aos trabalhadores.

«Não foi tida em conta a opinião dos trabalhadores sobre este resultado final», protestaram os três membros da CT eleitos, em 2015, pela Lista C.

Numa tomada de posição pública, no dia 11, admitem que a CT «trabalhou empenhadamente ao longo de todo o processo negocial» e destacam o seu próprio empenho. Lembram como, depois de os trabalhadores terem considerado insuficientes os termos do pré-acordo, a administração melhorou o aumento salarial (depois da primeira votação) e o subsídio de turno (após a segunda).

«Perante a nova situação», propuseram aos demais eleitos a realização de plenários, mas «a maioria da CT assim não o entendeu».

«Para quem sempre encheu a boca de “diálogo”», neste processo passou ao lado o direito dos trabalhadores se pronunciarem sobre as novas medidas anunciadas», comenta-se no boletim da célula do PCP.

 



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