Sessão evocativa de Mário Soares

O Parlamento aprovou no dia 11, por unanimidade, em sessão solene de homenagem, um voto de pesar pela morte de Mário Soares. Proposto pela mesa da Assembleia da República e pelo seu presidente, Eduardo Ferro Rodrigues, que o leu, o texto evoca a figura do ex-chefe do governo e ex-Presidente da República.

No acto, que foi acompanhado das galerias por familiares e amigos do ex-Presidente da República, intervieram representantes de todas as bancadas, incluindo a do Governo, pela voz do ministro dos Negócio Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Em nome do Grupo Parlamentar do PCP falou o seu presidente, João Oliveira, cuja intervenção se transcreve:

No momento em que a Assembleia da República assinala formalmente o falecimento do dr. Mário Soares quero começar, em nome do Grupo Parlamentar do PCP, por apresentar as condolências à sua família, em particular aos seus filhos, deputado João Soares e drª Isabel Soares, aos seus netos e ao Grupo Parlamentar do PS.

O dr. Mário Soares será lembrado como uma personalidade relevante da vida política nacional das últimas décadas, pela sua participação no combate à ditadura fascista e no apoio aos presos políticos, pela sua intervenção política como fundador e Secretário-geral do PS, pelo desempenho dos mais altos cargos políticos após o 25 de Abril, designadamente como deputado à Assembleia Constituinte, à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, primeiro-ministro, Presidente da República e membro do Conselho de Estado.

Lembrando-o em todas essas circunstâncias, não deixa naturalmente de ser lembrado pelas convergências e divergências com que marcou as suas posições e percurso.

Não é este o momento apropriado para dissecar o deve e o haver das convergências e divergências que marcaram a relação do dr. Mário Soares com o PCP mas seria hipocrisia política esconder que essas divergências existiram e que se basearam em convicções profundas quanto ao presente e ao futuro de Portugal.

Mário Soares convergiu com o PCP na luta contra o fascismo, pela liberdade e a democracia alcançadas com a Revolução de Abril, bem como em outros momentos da vida política nacional.

Pelas razões reais que em cada momento assumimos e não por efabulações construídas em processos de revisão da história, o PCP divergiu profundamente do dr. Mário Soares pelo papel destacado que este assumiu no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e a muitas das suas conquistas, incluindo a soberania nacional.

Continuamos hoje a ser oposição a um conjunto largo das suas ideias e posições cujas consequências permanecem e, em alguns casos, agravam os problemas nacionais, com um balanço que está longe de poder ser feito. A começar pelas consequências da adesão à então CEE em que assumiu responsabilidade destacada.

Não tendo nenhuma dessas circunstâncias constituído surpresa em vida do dr. Mário Soares, ninguém se surpreenderá hoje que não partilhemos o elogio daquilo que marcou as nossas divergências.

O que em muitos casos é destacado por uns como elogio das posições ou da acção do dr. Mário Soares é, por muitos outros, sentido negativamente como prejuízo causado ou expectativa frustrada.

Da parte do PCP, essas divergências, em muitos casos profundas, não impedem a expressão das nossas condolências porque sabemos que assumi-las quanto aos adversários políticos não é separável do combate de ideias nem da determinação do PCP em prosseguir a luta por uma democracia política, económica, social e cultural, pela soberania nacional, pelos valores de Abril, por uma sociedade socialista.




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