Ciberguerra entre EUA e Rússia

Kissinger apoia Obama

O Kremlin rejeitou as acusações de Obama de que a Rússia interferiu nas presidenciais dos EUA, em benefício de Trump, a partir do ciberespaço. Henry Kissinger veio em socorro do presidente cessante.

Acusações dos EUA são «totalmente infundadas»

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O antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger espera que os Estados Unidos se vinguem da Rússia levando a cabo os seus próprios ataques cibernéticos.

As declarações surgem após serviços secretos norte-americanos como o FBI e a CIA e o próprio presidente cessante Barack Obama terem assegurado que os russos levaram a cabo actos de pirataria informática para influenciarem as eleições presidenciais, favorecendo Donald Trump – confirmado vencedor pelo Colégio Eleitoral, segunda-feira, 19 – e prejudicando Hillary Clinton.

«Não duvido que a Rússia nos esteja a piratear e espero que nós também estejamos a fazer pirataria ali», disse o antigo governante sob as presidências de Richard Nixon e Gerald Ford, entrevistado pelo programa «Face the Nation», da cadeia CBS, e citado pela televisão Russia Today.

Kissinger afirmou que qualquer país possui capacidades para a pirataria informática mas reconheceu que «nenhum quer admitir a envergadura do que está a fazer».

Em Outubro deste ano, a organização WikiLeaks publicou mais de 50 mil correios electrónicos da campanha da candidata democrata Hillary Clinton que revelavam práticas internas da sua equipa de trabalho. Foram divulgados documentos que demonstraram como a direcção do Partido Democrata beneficiou Hillary e prejudicou Bernie Sanders, seu adversário nas primárias.

Vários meios de comunicação e, mais tarde, o próprio Obama e até Hillary, acusaram a Rússia, sob as ordens directas do presidente Vladímir Putin, de perpetrar ataques informáticos contra os servidores de correio electrónico dos democratas.

Moscovo rejeitou estas acusações, classificando-as de «totalmente infundadas, baseadas em nada e não apresentando qualquer dado que as comprove».

Hoje com 93 anos, conhecido tanto pela sua habilidade política como pelo seu anti-comunismo, Kissinger – que era secretário de Estado quando os EUA apoiaram o golpe militar fascista no Chile, em 1973, ou a invasão da África do Sul racista a Angola, em 1975 – comparou o presidente Putin a «um personagem de Dostoyevski».

Putin «é um homem com um profundo sentimento de ligação à História russa», «é um frio calculista [defensor] dos interesses nacionais da Rússia, que considera, talvez com razão, que têm algumas características únicas». Para Putin, «é crucial a questão da identidade russa», uma vez que, com o desaparecimento da União Soviética, a Rússia «perdeu uns 300 anos da sua história», opinou Kissinger.




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