SOS no Tejo
São necessárias medidas imediatas para repor a operacionalidade das frotas e a fiabilidade do serviço público de transporte fluvial entre Lisboa e a Margem Sul, defendem sindicatos, utentes e autarquias.
Urge tomar medidas para repor a normalidade nas ligações fluviais
Para ontem à tarde, as organizações que reagiram publicamente à grave situação de atrasos e supressão de carreiras, ocorrida nos dias 5 e 6 de Dezembro, foram convocadas para uma reunião com o ministro do Ambiente, que tutela a Transtejo e a Soflusa.
A União dos Sindicatos de Setúbal (CGTP-IN), a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) e os seus sindicatos representativos dos trabalhadores do transporte fluvial no Tejo (Simamevip, STFCMM e SNTSF), as comissões de trabalhadores da Transtejo e da Soflusa, as comissões de utentes dos transportes da Margem Sul e do Cais do Seixalinho, e as câmaras municipais de Almada, Barreiro e Seixal elaboraram uma «carta» de reivindicações e propostas imediatas, a qual foi entregue no Ministério por uma delegação, logo no dia 7.
No documento defende-se o «lançamento urgente de acções de recuperação e de manutenção regular, necessárias à normalização da frota». Da tutela, reclama-se a «alocação urgente dos meios financeiros necessários à reposição do stock de peças e sobressalentes». Por fim, é exigido «um programa de admissões de pessoal e de formação profissional, que reponha o número de trabalhadores necessários à operação e volte a permitir responder às necessidades diárias de manutenção e evite a paragem de navios».
O transporte fluvial no Tejo assume «uma enorme e estratégica importância na mobilidade das populações da Área Metropolitana de Lisboa», mas esta mobilidade «tem vindo, de há anos a esta parte, a ser posta em causa com a política seguida, assente na redução do número de trabalhadores e das acções de manutenção regular das frotas da Transtejo e da Soflusa». Isto «conduziu a vários cortes na oferta de transporte e à recorrente supressão de carreiras programadas, gerando uma enorme perda de fiabilidade na operação».
Os subscritores da «carta» lembram que esta é «uma situação para a qual temos repetidamente alertado e reivindicado soluções, quer seja ao governo, quer às administrações das empresas, sem que sejam tomadas as medidas necessárias à sua superação».
O arrastamento dos problemas levou a que «hoje alguém que tenha de se deslocar pela via fluvial de Cacilhas, Trafaria, Porto Brandão, Seixal, Barreiro e Montijo para Lisboa, ou vice-versa, para trabalhar, estudar, ou por quaisquer outras razões, não tenha o mínimo de garantias de que o serviço se efectua de acordo com os horários programados», o que é considerado inaceitável.