No Kiss, No Fly, Money bye bye

Manuel Gouveia

A multinacional Vinci continua, impunemente, a utilizar os aeroportos nacionais para drenar milhares de milhões de euros para os seus accionistas.

Como se não bastassem os sucessivos aumentos de taxas aeroportuárias (em Dezembro teremos mais um). Como se não bastasse a contabilidade criativa, transferindo parte dos lucros da ANA directamente para a Vinci sem pagar os impostos devidos. Como se não bastasse a redução do investimento aeroportuário para quase metade daquele que se realizava quando a ANA era pública, com o diferencial a ser apropriado pelos capitalistas da Vinci. Como se não bastassem os sucessivos despedimentos colectivos na Portway a mando da Vinci. Como se não bastasse estar a transformar os aeroportos numa mancha de precariedade e instabilidade laboral. Como se não bastasse tudo isto, e o tudo mais que aqui nem resumir se pode, a Vinci tem estado a implementar o sistema de portagens no acesso às partidas dos aeroportos.

Este esquema merece que se perca algum tempo com ele. Basicamente, para chegar às partidas passa-se uma portagem, cujo pagamento se efectua à saída. Se sair em 10 minutos, não paga nada, depois é sempre a somar: mais cinco minutos, um euro, e assim crescentemente até que duas horas são... 43 euros. E os 10 minutos é por carro e por dia, numa acção destinada ainda a cobrar um dízimo aos transfers e afins.

A multinacional arranjou para este roubo um nome fabuloso, fofinho e modernaço – «kiss and fly» –, e a comunicação social divulgou a coisa eufórica, com aquela euforia com que vendem qualquer publicidade, desde que lhes paguem. «Estacionamento gratuito no aeroporto de Lisboa» destacava uma televisão, «Há um novo estacionamento gratuito no aeroporto de Lisboa» titulava uma revista séria.

Reparem: o que ontem era gratuito passou a ser pago, e o único investimento da multinacional foi na construção das portagens e na contratação de uma agência de publicidade. Aos utentes do Aeroporto e às actividades económicas a jusante do mesmo passou a ser cobrada uma nova taxa para a multinacional, que age em Portugal como se tivesse o direito de cobrar impostos. Quase impunemente!




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