O que nos diz Barroso

Vasco Cardoso

A passagem de Durão Barroso de presidente da Comissão Europeia para presidente não executivo da Goldman Sachs diz-nos mais sobre o que é, e a quem serve, a União Europeia do que propriamente sobre o perfil da criatura por mais justo que fosse falar desse assunto.

A União Europeia é a Europa do capital. É a expressão política da Europa dos monopólios onde se inclui o poderosíssimo sector financeiro controlado por estes.

Esta é a União Europeia da livre circulação de capitais e das políticas de concentração do sector financeiro. Esta é a UE que já gastou milhões de milhões de euros em operações de suposto «salvamento» da banca privada, mas que na prática foram de transferência de recursos públicos para os bolsos de banqueiros e a especulação financeira. Esta é a UE que não só tenta impedir um país de gerir, capitalizar e desenvolver a banca pública (como é o caso da CGD) como procura impor que bancos que foram «resgatados» pelo Estado sejam de novo devolvidos aos grupos monopolistas limpos de dívidas e de encargos com trabalhadores e uma carteira de negócios recheada como querem fazer com o Novo Banco. Esta é a UE que emprestou capital à banca privada para que esta ganhasse com a especulação sobre as dívidas públicas causadas, em grande medida, pela falência de bancos privados. Esta é a UE que não esconde a opção pela concentração bancária e que intervém de forma clara em todos estes processos, como se verificou na opção que levou o BANIF para as mãos dos espanhóis do Santander. Esta é a UE que com o euro multiplicou os lucros de banqueiros e especuladores e esmagou direitos e rendimentos dos povos. Esta é a UE que expropriou os estados dos poucos mecanismos de supervisão e regulação bancária que detinham (tal é o domínio do capital monopolista sobre o sector) e que avançou com uma União Bancária que representa um novo patamar nos mecanismos de concentração e acumulação capitalista na Europa.

A banca privada está umbilicalmente ligada ao processo de integração capitalista na UE e é quem dela mais beneficia. Durão Barroso não mudou de «emprego».... mudou de local de trabalho.

 



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