Lapsos ou nem por isso
Os leitores das publicações do grupo Impresa receberam a semana passada uma mensagem por correio electrónico a promover a universidade de Verão do PSD, co-organizada pelo Partido Popular Europeu (PPE). O caso foi prontamente denunciado no Facebook e os comentários, bastamente críticos, para não dizer mesmo azedos, não se fizeram esperar. Face à polémica, o grupo Imprensa retratou-se através de um comunicado nas páginas do semanário Expresso – ao que parece desta vez optou por não recorrer à base de dados de leitores – em que reconhece ter sido cometido um «lapso» e apresentando as devidas desculpas.
O teor do comunicado é curioso, já que nele se afirma que a mensagem em causa «era comercial, mas, erradamente, foi enviada de um endereço (sublinhado nosso) que a podia conotar com conteúdo editorial». Daqui se infere que o «lapso» e o pedido de «desculpa», dirigido a «todos os que tenham entendido um conteúdo comercial como editorial, sobretudo quando referente a uma iniciativa de um partido político», só se justifica pela confusão eventualmente suscitada pelo endereço remetente, a saber, [email protected].
Ocorre perguntar que raio de endereço é este, que por acaso ou talvez não até integra a iniciais do Partido Popular Europeu, co-organizador da dita universidade de Verão; se o grupo Impresa presta serviços ao PPE; e se considera que, não fora a possível confusão entre propaganda e informação, seria legítimo a um grupo de media que se diz independente usar a sua base de dados de leitores para fazer publicidade à iniciativa de um partido, o PSD, que o comunicado, aliás, nunca nomeia.
A «campanha em causa foi imediatamente cancelada», garante ainda o documento, como se depois de enviada e recebida a mensagem pudesse pura e simplesmente ser apagada do conhecimento dos leitores.
Já agora, e para evitar confusões, convém lembrar que o grupo Impresa pertence a Francisco Pinto Balsemão, fundador do PPP/PSD e até recentemente membro permanente do Clube de Bilderberg e do seu comité executivo, lugar que gentilmente cedeu ao seu correligionário Durão Barroso, o novo presidente da Goldman Sachs. Isto de lapsos anda tudo ligado...