Com organização, unidade e firmeza

Vitórias da luta e na Justiça

Em tribunal ou com a acção sindical, sofreram pesadas derrotas a recusa do direito a horário flexível para assistência a filhos menores, pagamentos discriminatórios e outros abusos patronais.

Mesmo em condições adversas, a força dos trabalhadores vence

No Tribunal de Trabalho de Setúbal, foi rejeitada a pretensão da Wheels Logística, que colocou uma sua trabalhadora no banco dos réus, procurando assim limitar, neste caso e para o futuro, o direito legal das mães a optarem por horário flexível para assistência a filhos menores.
A notícia foi divulgada no dia 12, pela União dos Sindicatos de Setúbal, reportando-se a um caso que teve o apoio do SITE Sul e considerando que se trata de mais um exemplo de como vale a pena lutar, quando é colocado em causa o direito a conciliar a vida profissional com a vida familiar.
A empresa de transportes e logística, instalada no Parque da Autoeuropa, em Palmela, alegou que não conseguiria encontrar nenhum trabalhador que aceitasse fazer o segundo turno durante seis anos (o pedido da trabalhadora em causa foi feito para dois anos) e que no departamento trabalham outros funcionários com filhos menores.
O tribunal, segundo a USS/CGTP-IN, que cita excertos da sentença, concluiu que a empresa «estaria a coartar a possibilidade de qualquer um dos trabalhadores requerer a prática de um horário flexível, com a justificação de que todos os outros também poderiam fazer pedido idêntico», e defendeu que «as entidades empregadoras deverão desenvolver métodos de organização dos tempos de trabalho que garantam o princípio da igualdade dos trabalhadores».

Acabou por ser suspensa, no dia 13, a greve marcada para anteontem, 17, em algumas escolas de condução de Lisboa e Setúbal, que o Grupo Segurança Máxima formalmente alienou à escola Triunfo. Para não perder os exames marcados para esta data, o «actual» patrão decidiu pagar os salários atrasados e aceitou iniciar um processo de negociação de outras questões colocadas pelo STRUP.
Um dirigente deste sindicato da Fectrans/CGTP-IN referiu ao Avante! que, num período não muito distante, praticamente todos os trabalhadores daquelas escolas se sindicalizaram e demonstraram, posteriormente, que estavam determinados a exigir melhores condições de trabalho e de remuneração.
A suposta venda à Triunfo (operação que é desmentida por vários factos do dia-a-dia da empresa) teria por objectivo evitar que o movimento reivindicativo se alargasse às demais escolas da Segurança Máxima; o atraso no pagamento de salários visaria forçar a conclusão de que no «patrão antigo» é que as coisas corriam bem. A resposta firme dos trabalhadores traçou outro caminho que tem hoje, dia 19, uma nova etapa: uma reunião de negociação do sindicato com a Triunfo.

Em Abrantes, na antiga Robert Bosch Travões, fábrica que faz parte do Grupo CBI (Chassis Brakes International), a intervenção do SITE CSRA junto do Ministério do Trabalho (DGERT) acabou este mês com a discriminação no pagamento do trabalho suplementar. Na notícia, publicada dia 14 no sítio da Fiequimetal/CGTP-IN, o sindicato considera que esta foi uma importante vitória.
O trabalho suplementar estava a ser pago pelo mínimo exigido na lei, aos associados do SITE CSRA, e por valores superiores (mais o tempo compensatório), a trabalhadores filiados noutro sindicato. Por este motivo, tinha já sido realizada uma greve em Junho do ano passado.

A dois trabalhadores despedidos, que estavam colocados na refinaria de Sines da Petrogal através da EFATM, a Conjugados, empresa de trabalho temporário do Grupo Disumeg, foi condenada a pagar mais de nove mil euros, revelou o SITE Sul, que assegurou apoio jurídico e sindical. O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN teve conhecimento na semana passada da sentença do Tribunal de Santiago do Cacém, que condenou a Conjugados, com sede no Centro de Empresas Maquijig (Parque Industrial das Carrascas, em Palmela), por falta de aviso prévio para o termo dos contratos, tendo ainda que pagar as indemnizações por caducidade do contrato, as férias não gozadas de 2011, 2012 e 2014 e os valores proporcionais de férias, bem como juros.

 

Contas da exploração

A propósito da condenação da Conjugados, a União dos Sindicatos de Setúbal (CGTP-IN) chamou a atenção para alguns números que mostram a dimensão da exploração que representa o negócio do trabalho temporário.
A utilizadora (EFATM) pagava à Conjugados 11 euros por hora de trabalho cedido; a empresa de trabalho temporário pagava aos trabalhadores 750 euros de salário e quatro euros de subsídio de refeição. Contando 21 dias de trabalho por mês, a Conjugados arrecadava mensalmente 831,90 euros por trabalhador.
Que fez para tanto ganhar? Realizou duas entrevistas de trabalho, analisou os currículos, cedeu a força de trabalho à utilizadora e emitiu os recibos mensais.

 



Mais artigos de: Trabalhadores

IP (Refer) tem de pagar

O Tribunal de Trabalho de Lisboa condenou a IP (Infra-estruturas de Portugal, que resultou da fusão da Rede Ferroviária Nacional com a Estradas de Portugal) a pagar aos trabalhadores oriundos da Refer a média dos abonos variáveis auferidos em cada ano, incluindo o prémio de...

Vitória na Key Plastics

No seguimento da Campanha Nacional contra a Precariedade da CGTP-IN, assim como da reivindicação apresentada no caderno reivindicativo para 2016, na Key Plastics Portugal, em Vendas Novas, cerca de 30 trabalhadores com vínculos precários, contratados através de empresas de trabalho...

Em defesa da escola pública

A petição em defesa da escola pública lançada pela Federação Nacional dos Professores, encabeçada por cerca de 100 destacados membros da comunidade educativa e figuras públicas, já ultrapassou o número de subscrições necessárias...

Estivadores determinados

No plenário realizado dia 13, na Gare Marítima de Alcântara, os estivadores do porto de Lisboa reafirmaram a sua determinação na luta contra a generalização do trabalho precário e o agravamento da exploração, apoiando o alargamento até 16 de...