Lembram-se como era?
O jornal «Observador», apenas disponível em formato electrónico, nunca escondeu ao que vinha. Um projecto editorial absolutamente enfeudado à ideologia neoliberal, que é como quem diz, aos interesses do poder económico, que domina, de resto, a maioria dos principais órgãos de comunicação social. Lá marcam presença, travestidos de jornalistas e comentadores, numerosas figuras que exprimem, dia após dia, as principais palavras de ordem e argumentos lançados pelos sectores mais reaccionários da nossa sociedade. Entre eles, encontra-se Rui Ramos, «historiador» da nossa praça, cujo trabalho académico se tem empenhado em tentar conferir credibilidade científica ao mais descarado branqueamento do fascismo. Não nos admiremos, pois, que Rui Ramos continue a ter à sua disposição as páginas dos jornais, as câmaras de televisão ou o colo de algumas editoras e que as aproveite, designadamente, para ir destilando o seu ódio de estimação contra o PCP.
«O Alentejo ocupado de Cunhal fica hoje nas escolas públicas» é o mais recente escrito com que Rui Ramos brindou os seus leitores, juntando-se assim, ao coro estriónico que procura deliberadamente confundir a defesa da Escola Pública, com o ataque aos direitos das crianças, dos pais e dos trabalhadores do ensino particular e cooperativo, cuja instrumentalização tem sido habilmente conseguida nesta polémica, quer por parte do PSD, quer do CDS também. Nesta batalha ideológica, suscitada a propósito dos apoios públicos ao negócio do ensino privado, tem valido quase tudo. Desde a insinuação de que se trata de uma afronta à Igreja e aos católicos, passando pela tese de que são os sindicatos que mandam no Ministério da Educação, até à necessidade de «libertar o Ministério (da Educação) da manipulação comunista» como foi defendido no dito artigo aqui referenciado.
Rui Ramos continuará a sonhar com um Alentejo «ocupado» pelo latifúndio e por latifundiários, com jornadas de trabalho de sol a sol, com uma Escola de meninos descalços e com fome, com um Portugal agarrado ao passado, com os seus bufos e inspectores sempre prontos a identificar o perigo e a ameaça comunista, agindo em conformidade. Rui Ramos continuará a sonhar com o pesadelo do qual o Povo português se libertou há 42 anos.