na Assembleia Geral da AMARSUL
Ao serviço das populações
Os municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal votaram contra a distribuição de dividendos do exercício de 2015 da AMARSUL, num total de mais de um milhão de euros.
Os dividendos devem ser reinvestidos na empresa
Na Assembleia Geral Ordinária da AMARSUL, realizada no dia 29, os municípios, detentores de 49 por cento da empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos sólidos da Margem Sul do Tejo, abstiveram-se na votação do Relatório e Contas do Exercício de 2015 e votaram contra a aplicação de resultados com a distribuição de 1 033 254,15 euros de dividendos aos accionistas.
Propuseram, por isso, como se pode ler numa nota de imprensa, que «não se proceda à distribuição de dividendos, devendo os mesmos reverter para a empresa, contribuindo positivamente para que o valor da tarifa não sobrecarregue a vida dos munícipes e para investimentos indispensáveis para a melhoria do serviço e das condições e segurança dos trabalhadores».
Durante os trabalhos, tendo presente o Novo Regulamento Tarifário de Resíduos Urbanos, solicitou-se ainda ao Conselho de Administração (CA) que informe qual seria o efeito no valor da tarifa, caso não fossem distribuídos os dividendos. Ao CA foi também recomendado que proceda, com as autarquias, à análise da exequibilidade do Plano de Investimentos.
Defender o Poder Local
Os municípios rejeitaram, de igual forma, a posição tomada na Assembleia Geral de 22 de Setembro de 2015, prometendo prosseguir o «objectivo de uma gestão equilibrada da empresa, que, sem o recurso sistemático ao agravamento de tarifas, vise a manutenção e o desenvolvimento do seu património e da qualidade dos serviços prestados aos municípios e às populações, bem como dos direitos e condições de trabalho dos seus trabalhadores».
Por último, manifestaram-se «contra a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF)», recorrendo a todos os meios que legitimamente disponham «na defesa da autonomia do Poder Local, dos interesses das suas populações e na prossecução e salvaguarda das suas atribuições e competência que lhes estão conferidas pela Lei e pela Constituição da República Portuguesa».
Negócio lucrativo para alguns
A AMARSUL, SA foi criada a 4 de Março de 1997 como uma empresa de capitais exclusivamente públicos, com 51 por cento do Estado Português, através da empresa pública EGF, e 49 por cento dos nove municípios da Península de Setúbal, com um contrato de concessão de 25 anos para a valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos até 2022.
Estas foram duas condições necessárias e determinantes que levaram os municípios a aceitar aderir à AMARSUL, uma vez que desde 1976 detinham a responsabilidade exclusiva da administração destes serviços públicos, das quais continuam a não abdicar, na salvaguarda do interesse das populações dos seus concelhos.
Entretanto, em Julho de 2015, o governo PSD/CDS vendeu a EGF a um grupo com capitais privados, com as empresas SUMA e Mota-Engil, entre outras. Com esta medida, o Estado privatizou a maioria do capital social da AMARSUL (51 por cento), contra o acordo inicial e contra a opinião dos municípios, com 49 por cento, à revelia dos respectivos Estatutos e do Acordo de Accionistas, num processo que os municípios repudiam e contra o qual interpuseram acções judiciais, algumas das quais ainda decorrem.
Privatização da EGF
«Com esta privatização da EGF, o Estado, unilateralmente, aumentou em mais 12 anos o prazo de exploração da AMARSUL, prolongando-o até 2034», contestam os municípios, denunciando o facto de o accionista maioritário privado da AMARSUL ter imposto «um novo modelo de gestão que tem causado dificuldades na intervenção e articulação com os municípios, também accionistas, na gestão e na definição da estratégia da empresa, com particular relevo na elaboração do Plano de Investimentos».
Desde a criação da AMARSUL, em 1997, até à privatização da EGF, em 2014, a aplicação dos Resultados Líquidos dos Exercícios apresentada no Relatório e Contas tem revertido para a própria empresa, de modo a que a tarifa a aplicar aos municípios não aumentasse para valores com consequências negativas no nível de vida dos munícipes dos nove concelhos. Os resultados durante 17 anos têm revelado uma empresa pública, económica e financeiramente equilibrada.
Loures critica decisão do Governo
A Câmara Municipal de Loures aprovou, no dia 31, por maioria, uma moção exigindo a reversão do processo de privatização da EGF e, consequentemente, da maioria do capital da Valorsul, considerando «insuficiente e inexplicável a actuação do Governo face ao prometido».
Manifestando «desapontamento e perplexidade» pela decisão governamental de não reverter o processo de privatização da EGF, a deliberação da autarquia responsabiliza o Governo pelo «incumprimento do compromisso político», exigindo que António Costa «cumpra a palavra dada» e reverta o processo, ou arranje «uma alternativa pública viável».
Foi ainda manifestado apoio ao presidente da Câmara, Bernardino Soares, «nas acções políticas ou jurídicas na tentativa de reverter o processo».
Há dois anos que o município de Loures está na linha da frente contra o processo de privatização da EGF, decorrendo ainda nos tribunais vários acções interpostas pela autarquia sobre este processo.