Arquivo Cesto
Não faço ideia se a saga do «Arquivo Mitrokhin», a que o Expresso dedicou, em duas semanas seguidas, vinte páginas da sua revista, vai continuar ou não. Seja como for, e uma vez que a coisa, só assim, já fede muito mais do que a conta, importará definir em pinceladas largas o conteúdo de tal patranha, apresentada em formato de peça jornalística. Já anteriormente, vai para 17 anos, se assinalou nas páginas do Avante! que as invencionices publicadas na imprensa portuguesa tendo como pretexto a suposta entrega de arquivos da PIDE ao KGB não passavam de toneladas de calúnia e provocação ao nosso Partido. Como o Expresso volta à carga, agora com ares de trabalho jornalístico de fundo, e com o objectivo de não apenas insinuar, mas de pretender provar com base nos registos de um funcionário do KGB, que o PCP colaborava com essa e, pode depreender-se, com outras forças estrangeiras, será necessário relembrar as palavras do camarada Álvaro Cunhal, aqui publicadas, sublinhando os dois pontos fundamentais sobre a matéria. O primeiro: o PCP nunca admitiu quaisquer contactos com serviços de informação, seja de que país forem. O segundo: a ligação, informação ou compromisso com qualquer serviço de informação é incompatível com a qualidade de membro do Partido.
Dito isto, não resisto a afirmar que, perante um tal vómito, já não há limites para a falta de vergonha. O papel aguenta tudo e portanto o limite para este infame ultraje ao PCP, força patriótica, coloca-se apenas à imaginação dos difamantes e dos caluniadores. Sem se sentir obrigado a ter em conta as reiteradas afirmações que sobre isso o PCP e os seus principais dirigentes fizeram, o Expresso procura enlamear o nome do Partido, bastando-lhe assentar toda esta aldrabice numas memórias de um qualquer vendido, ainda por cima falecido, afrontando a verdade e passando por cima dos desmentidos de todos aqueles que o pasquim decidiu contactar.
Como lixo que são, o lugar destas peças é no Arquivo Cesto!