SWAP e outras moscambilhas!
Maria Luís Albuquerque (MLA), ex-ministra das Finanças arranjou um empregozito ali para os lados do City londrina a ganhar qualquer coisa como cinco mil euros por mês. Em Londres, um tribunal decidiu que o Estado português tem de pagar ao Banco Santander mais de 1800 milhões de euros por juros, a mais, nos contratos SWAP.
MLA não tinha emprego antes de ser ministra? Precisava de um e, trabalhadeira como é, quando ficou desempregada, foi à procura de emprego? Enviou um curriculum vitae para uns empregos que viu no jornal ou terá aproveitado um cartão de visita dos tempos de ministra? Por que é que o PSD e o CDS votaram contra a proposta do PCP, apresentada em 2015, que previa cinco anos sem que os titulares de cargos públicos pudessem exercer cargos no sector privado?
E quanto aos SWAP, por que razão o Governo português decidiu estabelecer contratos que eram obviamente ruinosos para o Estado? Sendo o contratante português e sendo o Banco espanhol, por que é que o julgamento foi em Londres? Será que, tendo esta decisão impactos no défice, a União Europeia não vai proibir o seu pagamento?
Perguntas de retórica. O que ambas as situações confirmam é que os governos são, como assinalou Marx, os representantes das classes dominantes, e servem os seus interesses. Como tal, estas pagam bem aos seus homens e mulheres de mão. E confirmam que os que esperam da UE soluções para os nossos problemas, perceberão que, criada e mantida para defender os interesses do capital, dos grandes grupos económicos e financeiros, esta dirá sempre que, para salários, reformas, saúde ou educação não pode haver mais dinheiro, por causa do défice, mas quanto aos SWAP, os compromissos são para cumprir.
As leis não são inócuas ou inocentes. Têm um conteúdo de classe, a classe que as maiorias, em cada momento, representam.
O julgamento foi em Londres porque interessava ao capital. Pode ser legal, mas não é legítimo!
O novo emprego da Maria Luís pode nem ser ilegal, formalmente. Mas não deixa de ser eticamente condenável e nada nos impede de afirmar que é preciso não ter vergonha na cara para passar, em cinco meses, de defender a Banca e o capital financeiro no governo, paga pelo erário público, para defender os mesmos, agora directamente ao seu serviço.