Emoção entre camaradas
Familiares, amigos e camaradas celebraram na segunda-feira, 1, os 80 anos de Domingos Abrantes, num almoço carregado de emoção e confiança no futuro.
A vida de Domingos Abrantes é um estímulo para continuar a luta
«Se há coisas de que gosto na vida desde há mais de 60 anos é de estar junto de camaradas irmanados na defesa e construção da obra comum que é o Partido», disse, emocionado, Domingos Abrantes, perante todos quantos enchiam o refeitório da sede central do Partido, na Rua Soeiro Pereira Gomes, para o almoço comemorativo do seu aniversário. O homenageado – que quando cumpriu efectivamente o seu 80.º aniversário, duas semanas antes, se encontrava fora do País em tarefa partidária – lembrou que, num Partido como o PCP, a palavra camarada é «muito mais que o modo formal de nos relacionarmos. Ela exprime, no seu conteúdo essencial, uma forma superior de relacionamento, assente em ideais elevados e na acção comum pela sua concretização, na lealdade, no respeito mútuo e na solidariedade fraternal».
Numa sentida intervenção, várias vezes interrompida pelos aplausos dos presentes, Domingos Abrantes lembrou diversos aspectos da sua longa e intensa vida de militante e dirigente do Partido a agradeceu a «toda uma geração de homens e mulheres que, numa fase em que o horizonte era indefinido e as vidas incertas, com enorme abnegação e entrega plena, com acertos e desacertos, defenderam o Partido de todas as arremetidas que contra ele foram dirigidas». Uma palavra especial foi dirigida às mulheres – que suportaram, na dura luta antifascista, «dos mais pesados e dolorosos sacrifícios» – e, entre elas, à sua companheira, Conceição Matos, que ali estava presente.
Após reconhecer que deu o melhor de si ao Partido, Domingos Abrantes sublinhou que a sua história de militante comunista «deve ser relativizada», pois ela – como a de qualquer outro – «é inseparável da acção do colectivo». Dirigindo-se especificamente aos jovens, que estavam em grande número no almoço (como estão no Partido), o homenageado afirmou que «a sua opção em tornarem-se comunistas implica que se devem preparar para uma longa caminhada» e para a luta por um ideal que «poderão não ver concretizado, mas para o qual sabem que deram a sua contribuição». Esta é, em si mesma, uma forma de realização pessoal, garantiu.
Exemplo e estímulo
Antes, já Manuela Bernardino, do Secretariado do Comité Central, tinha realçado aspectos fundamentais da vida de Domingos Abrantes, que constitui não apenas um «exemplo de coragem e determinação revolucionária» como também um «estímulo para prosseguirmos a luta, mesmo em condições adversas e de grande complexidade». A dirigente do Partido lembrou a entrada na fábrica aos 12 anos, como aprendiz, a sólida consciência de classe precocemente adquirida, a participação no MUD Juvenil, a cuja Comissão Central pertenceu, e as lutas que dirigiu, particularmente da juventude trabalhadora.
Manuela Bernardino recordou ainda a entrada de Domingos Abrantes para o PCP em 1954, as muitas tarefas que desempenhou e as várias responsabilidades que assumiu: fez parte do Comité Local de Lisboa e de organizações do Partido na Margem Sul; foi membro do Comité Central entre 1963 e 2012 e «durante vários anos, após a Revolução de Abril, integrou o Secretariado e a Comissão Política». Entre as tarefas que desempenhou, conta-se a responsabilidade pelo Sector Sindical e a frente de trabalho das Mulheres. É actualmente membro do Conselho de Estado. Foi preso duas vezes, em 1959 e em 1965, passando 11 anos na cadeia e mais nove na clandestinidade. «Torturado, teve a atitude firme e digna que se exigia aos membros do Partido», valorizou a dirigente comunista, lembrando ainda a sua participação na fuga do Forte de Caxias, em Dezembro de 1961, no carro blindado de Salazar, juntamente com outros sete camaradas.
Manuela Bernardino chamou ainda a atenção para as complexas batalhas que os comunistas têm hoje pela frente e para as «enormes responsabilidades» do Partido, garantindo que os exemplos de «firmeza, determinação e entrega em prosseguir a luta que Domingos Abrantes deu e dá provas dão-nos mais força nas tarefas de reforço do Partido e da sua ligação aos trabalhadores e ao povo, na afirmação da sua identidade e do seu Programa».