Tropas acusadas de abuso
Soldados das missões militares das Nações Unidas, da União Europeia e da França na República Centro Africana estão no centro de um escândalo de exploração de menores.
Estarão envolvidos soldados das missões da ONU e da UE
O caso de atropelos sexuais cometidos por tropas estrangeiras contra crianças e adolescentes na República Centro Africana foi denunciado o ano passado, obrigando o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a enviar uma equipa de investigadores para o território.
Inicialmente, suspeitava-se que os abusos, forçados ou materializados a troco de água potável e comida, estivessem circunscritos às tropas francesas, as primeiras a chegarem à República Centro Africana após o estalar do conflito armado no país, no final de 2013.
Os dados mais recentes apurados pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos – o qual assegura que em 2014 recolheu relatos de envolvimento de militares da França comunicando-os às autoridades de Paris –, confirmam, porém, que estarão também envolvidos soldados integrados nas missões da ONU e da UE, em funções no país africano desde 2014 e 2015, respectivamente.
No último mês de Dezembro, a responsável do painel de especialistas constituído pelas Nações Unidas divulgou os resultados finais das pesquisas e deixou fortes críticas ao tratamento «individual e institucional» da matéria por parte das Nações Unidas. A ex-juíza do Supremo Tribunal do Canadá, Marie Dechamps, garantiu, igualmente, que os abusos sexuais de menores centro-africanos transcendiam as tropas gaulesas, facto que o relatório mais recente do Alto Comissariado para os Direitos Humanos veio confirmar, indicando, numa atitude sem precedentes, a nacionalidade dos acusados.
Para além de franceses que intervieram na denominada Operação Sangaris, está a ser noticiado que entre os acusados estarão militares do Bangladeche, Marrocos, Níger, Senegal e República Democrática do Congo. Testemunhos de alegadas vítimas apontam, igualmente, para o envolvimento de soldados georgianos.
No sábado, 30, ao discursar na abertura da cimeira da União Africana, Ban Ki-moon manifestou-se horrorizado e envergonhado.