privatização da CP Carga
Crime contra interesses nacionais
O PCP rejeita que o Governo possa dar continuidade à privatização da CP-Carga, iniciada pelo executivo anterior. A hipótese foi colocada pelo próprio ministro das Infraestruturas.
PS criticou a alienação e agora pretende consumá-la
Em nota do Gabinete de Imprensa emitida na passada segunda-feira, 11, o PCP considera que a privatização da empresa pública de transporte ferroviário de mercadorias, que o governo PSD/CDS «meticulosamente foi construindo», corresponderia à «continuação da política de alienação de activos estratégicos» e do «desmembramento do sector ferroviário nacional». Para o Partido, esta privatização equivaleria a prosseguir um «caminho errado e prejudicial para o País, para a economia e desenvolvimento da produção nacional». Este é um caminho levado a cabo pelo anterior governo e que «está nas mãos e nas opções do actual Governo interromper».
Expressando desde logo a sua «solidariedade activa» para com a crítica imediata das organizações representativas dos trabalhadores da empresa e reafirmando a sua «posição firme» contra a privatização (já traduzida, aliás, num projecto de lei entregue na Assembleia da República), o PCP recorda ainda que o próprio PS expressou, antes das eleições, «severas reservas a este processo de privatização», denunciando a sua opacidade e referindo-se à necessidade de transparência. Entre o que levou o partido do Governo a pronunciar-se sobre o assunto e a realidade actual, nada mudou – só, aparentemente, a posição do PS.
Retomando críticas anteriormente feitas, o PCP garante estar-se perante um processo que envolve «acordos pouco claros entre “vendedor” e “comprador”». A opacidade torna-se «demasiado evidente» quando a alienação de um activo estratégico como a CP Carga é realizada por meros dois milhões de euros, depois de nela terem sido injectados mais de 116 milhões de euros de activos. O Partido «não deixará de exigir o total apuramento e esclarecimento da situação».
Decisão «significativa»
Para o PCP, é «significativo que o Governo decida, ao contrário do que é necessário e possível que seja feito, não interromper a alienação deste activo estratégico numa altura em que o transporte de minério entre Moncorvo e Leixões se prepara para ser feito parcialmente por rodovia». O que se impunha em tal situação era colocar os instrumentos estratégicos públicos, como indubitavelmente é a CP Carga, ao «serviço da economia, garantindo o total transporte ferroviário destas cargas».
O processo em curso afigura-se como um primeiro passo para o abandono do transporte ferroviário de mercadorias no Algarve, no Oeste e noutras regiões, garante o PCP, lembrando que esta medida consta dos documentos do negócio, entretanto revelados. Ao mesmo tempo que apela ao reforço da luta dos ferroviários contra a privatização da CP Carga, o Partido garante que intervirá no sentido de «exigir esclarecimentos quanto à decisão do Governo de prosseguir esta privatização», que, a avançar, constitui um «crime contra os interesses nacionais».