O candidato Sonae

A campanha presidencial já começou e em força. Vemos Marcelo, e também Nóvoa e Belém, a ocupar o espaço público de forma avassaladora, mesmo quando as iniciativas de campanha são parcas e, nalguns casos, pouco participadas. O jornal Público tem sido um dos principais promotores desta linha de quem entende só existirem três candidaturas, e isto porque não podem assumir já que os resultados eleitorais do próximo dia 24 estão fechados. O descaramento é muito e nas entrelinhas lemos esta vontade dos grupos económicos e dos interesses por detrás dos principais meios de comunicação social, mas não é suficiente para o dizer com todas as letras.

Até agora, temos visto o Público a fazer longas entrevistas nas últimas semanas a Marcelo e Belém. São longas entrevistas sobre o percurso de cada um, em que, de forma gratuita, Marcelo volta a explorar a sua estratégia de dissimulação. O que importa nestas eleições, quem é o candidato que dá mais condições e garantias da defesa da Constituição da República, não é escrutinado. As posições de confronto com os valores de Abril que alguns foram assumindo não são alvo da atenção jornalística. O embrulho da prenda que a Sonae oferece a estes candidatos fica completo com uma grande manchete, acompanhada de fotografia de primeira página. Fica claro quem é o candidato que a Sonae deseja na Presidência da República.

São estes, a par dos anos de exposição mediática, os elementos que explicam os orçamentos que se dizem frugais. Quem precisa de outdoors quando tem estes espaços de promoção e divulgação, oferta dos detentores dos principais órgãos de comunicação social? Como Marcelo Rebelo de Sousa afirmou a propósito dos donativos privados, quem dá tem a tentação (ou o objectivo, poder-se-á dizer) de cobrar favores mais à frente. Da mesma forma, grupos económicos como a Impresa de Balsemão ou a Sonae de Belmiro iriam, caso Marcelo fosse eleito, lembrá-lo de quem o pôs lá de cada vez que fosse necessário.

Este descarado e escandaloso favorecimento de algumas candidaturas é, também, acompanhado do apagamento da candidatura de Edgar Silva, o único que, sem se engasgar, garante a defesa da Constituição. Logo ao primeiro dia do período de campanha eleitoral, a candidatura de Edgar Silva realizou um grande comício na cidade do Porto. Quem lá não esteve pode confirmá-lo nas páginas deste Avante!. E o que marcou esse dia para o Público? O debate entre Nóvoa e Belém com «Marcelo na mira», as graçolas de Marcelo entre dentadas a folhados e enchidos e o almoço em que ficamos a saber que Marisa Matias tem a Madeira no coração.

Só depois disto houve espaço, o pouco que sobrou nas páginas do Público para o comício no Palácio de Cristal, sem dizer que foi incomparavelmente a maior iniciativa desta campanha até agora. Sem dizer que, apesar do temporal que se fez sentir na cidade do Porto no domingo passado, houve milhares de homens, mulheres e jovens que decidiram sair de casa para dar o seu apoio à candidatura de Edgar Silva.

Mas se sabemos que não devemos esperar facilidades por parte da comunicação social dominante, podemos estar igualmente certos de que, se isso acontece, é por não haver outra candidatura que defenda os valores de Abril como a de Edgar Silva.




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