Triumph e OGMA em luta
Muitos trabalhadores respondem com unidade e luta a graves problemas que mancham a época natalícia e impedem que 2016 se perspective como ano melhor. Em Sacavém, luta-se contra a deslocalização da fábrica da Triumph. Em Alverca, exige-se actualização salarial e respeito pelos direitos na OGMA. Mas há outros casos.
A melhor resposta é a luta colectiva e organizada
Para esta tarde, logo após a saída do trabalho, as operárias da Triunfo Internacional, Sociedade de Têxteis e Confecções, empresa da multinacional alemã Triumph International que desde 1961 produz em Portugal vestuário interior, têm marcada mais uma jornada de luta contra a deslocalização anunciada pelos patrões no dia 11 de Novembro. A partir das 17 horas, vão estar junto ao Real Forte, em Sacavém, para fazerem publicamente valer as razões de 530 pessoas que têm o emprego em risco, apesar de a empresa dar elevados lucros e a qualidade do trabalho ser reconhecida.
Ainda em Julho, o PCP tinha levado ao Parlamento, através de uma pergunta dirigida ao Ministério da Economia, a inquietação suscitada por notícias sobre a venda da unidade fabril portuguesa. Estava em causa, de acordo com o Sindicato dos Têxteis, Lanifícios, Vestuário e Calçado do Sul (da Fesete/CGTP-IN), uma decisão de vender a fábrica de Sacavém num prazo que iria de três meses a dois anos.
O Governo PSD/CDS ignorou o alerta e respondeu mesmo que, segundo a administração da Triumph, «a empresa encontra-se em laboração com 530 trabalhadores, nada tendo sido anunciado no sentido de redução ou extinção dos postos de trabalho agora existentes».
O caso foi retomado numa pergunta do grupo parlamentar do PCP, a 2 de Dezembro, e num projecto de resolução que esta segunda-feira baixou à discussão em comissão. Afinal, «no passado dia 11 de Novembro, os trabalhadores foram informados pelos responsáveis da empresa de que “não tendo até este momento aparecido compradores para a fábrica em Portugal, apesar dos contactos feitos nesse sentido com a H&M, Intimissi e Zara, e descartada a hipótese de venda, a fábrica poderá não encerrar em Janeiro do próximo ano, mas já em Dezembro».
O Partido defende que o Governo deve usar «todos os instrumentos ao seu alcance para impedir a deslocalização» e «para a salvaguarda de todos os postos de trabalho e o cumprimento dos direitos dos respectivos trabalhadores».
Para dar conta desta iniciativa, o PCP realizou anteontem à tarde uma acção de solidariedade junto à fábrica, distribuindo cópias do texto entregue na AR. No contacto com os trabalhadores estiveram a deputada Ana Mesquita, o presidente da CM de Loures, Bernardino Soares, e outros dirigentes e militantes comunistas.
Poucas horas antes, o sindicato promoveu uma conferência de imprensa, na Praça Luís de Camões, para denunciar publicamente o drama que os trabalhadores e as suas famílias estão a viver há seis meses.
Contra o encerramento da fábrica da Unicer em Santarém, que implicará a liquidação dos seus 70 postos de trabalho, foi convocada para ontem uma greve de 24 horas, com concentração junto à sede do grupo, em Leça do Balio. Também neste caso, o fecho da unidade industrial que produz refrigerantes não é justificado por quaisquer dificuldades financeiras, mas apenas pela estratégia patronal de incremento dos lucros à custa dos trabalhadores e da redução do aparelho produtivo nacional.
Pode, manda... e não paga
Teve lugar esta terça-feira, dia 15, ao início da tarde, uma concentração de trabalhadores da OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal, em Alverca (Vila Franca de Xira), para reclamar actualização da tabela salarial, que é negada há mais de três anos, e também para exigir que seja alterada a persistente imposição de decisões administrativas em situações que devem ser negociadas, como a marcação de férias e a organização dos horários de trabalho.
Para o Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (Steffas/CGTP-IN), que promoveu a luta, é também necessário acabar com «o assédio laboral que grassa dentro da empresa, com perseguições e discriminações constantes».
A administração tinha já convocado, para hoje, uma reunião com as estruturas sindicais, mas a convocatória «não responde à proposta reivindicativa para 2016, aprovada nos plenários de 12 de Novembro», «nem menciona expressamente a questão da actualização da tabela salarial». O sindicato manteve a jornada de luta, mas confirmou que participará nesta reunião.
É reivindicada uma subida de quatro por cento no valor dos salários, com garantia de um mínimo de 40 euros.
Contesta-se o projecto de calendário produtivo, que deixa muito poucos dias de férias para marcação por iniciativa do trabalhador – e mesmo assim surgem pressões extemporâneas para alterar férias planeadas pela própria empresa. Nesta matéria, o Steffas e dois trabalhadores venceram recentemente uma acção judicial, cuja sentença foi cumprida há um mês.
O «banco» de horas, como foi denunciado na concentração, é de legalidade duvidosa e é mais uma forma de reduzir o pagamento aos trabalhadores.
Jado Ibéria
Contra actos de intimidação que partem da Administração da Jado Ibéria, a direcção do SITE Norte (da Fiequimetal/CGTP-IN) reuniu-se na segunda-feira, dia 14, em Braga, e aprovou uma moção de apoio e solidariedade à luta dos trabalhadores. Os dirigentes sindicais deslocaram-se depois até junto da fábrica, onde decorria um plenário. Os trabalhadores decidiram entrar em greve, por uma hora, e foram até ao portão principal, para receberem uma forte mensagem de apoio e incentivo para a sua luta. A generalidade do pessoal ligado à produção aderiu à greve e integrou-se nesta manifestação de apoio à resistência e de repúdio contra os processos disciplinares levantados a nove trabalhadores, apenas por reivindicarem melhores condições de trabalho.
Sheraton
Em solidariedade contra duas trabalhadoras que a administração do Hotel Sheraton, em Lisboa, pretende despedir, alegando extinção dos postos de trabalho, teve lugar no dia 10 uma acção pública de protesto. O Sindicato da Hotelaria do Sul, da Fesaht/CGTP-IN, exige ainda que sejam respeitados os direitos ao livre exercício da actividade sindical e o direito à maternidade e paternidade. As visadas neste processo de despedimento são uma dirigente e uma ex-delegada sindical, recentemente mães.
Na iniciativa participaram, além de dirigentes sindicais do sector e trabalhadores, a deputada Rita Rato, do PCP, e Libério Domingues, coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN.