Reforma Agrária comemorada em Avis
Os 40 anos da Reforma Agrária foram celebrados no dia 5, no Auditório Ary dos Santos em Avis, com a abertura de uma exposição, a apresentação de um livro e a exibição de uma peça de teatro.
A exposição «40 anos da Reforma Agrária – A força dos trabalhadores», com seis painéis cedidos pela União dos Sindicatos de Évora, foi promovida pela União dos Sindicatos do Norte Alentejano (que abrange também o distrito de Portalegre) e contou com o apoio do município e das freguesias de Avis e da associação de apicultores Aderavis.
O livro «As 12 Conferências da Reforma Agrária – Um Testemunho da Revolução de Abril», editado pela Associação Povo Alentejano, foi apresentado por Diogo Júlio Serra, que esteve nas conferências e viveu os assassinatos de Caravela e Casquinha (abordados também na exposição).
António Gavela, do grupo de trabalho que criou a exposição, falou da luta dos trabalhadores rurais, a sua linha condutora, desde o século XIV, até às lutas da década de 1960 pela jornada de trabalho de oito horas, que abalaram o fascismo, à revolução de Abril, à 1.ª Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul (com 30 mil trabalhadores) e à ofensiva lançada com a Lei Barreto, terminando na actualidade da reforma agrária.
Por fim, foi apresentada a peça «Reforma Agrária. 40 anos. 3 vozes do teatro», encenada por Luís Varela, com Álvaro Côrte-Real, Rosário Gonzaga e Victor Zambujo.
Uma grande parte do público era constituída por pessoas que, nos anos da reforma agrária, foram trabalhadores agrícolas e contribuíram para alcançar o que pareceria impossível. A própria peça lembra que, em 1978, as cooperativas e unidade colectivas de produção tinham mais de um milhão de hectares de terra a produzir e eram responsáveis por cerca de 72 mil empregos. No concelho de Avis estava sediada a UCP 1.º de Maio, uma das maiores.