A união faz a diferença
Sob o lema «É urgente: condições para estudar», os estudantes do Ensino Superior vão manifestar-se hoje, 26, em vários pontos do País, contra os cortes no financiamento e na Acção Social.
É preciso investimento no Ensino Superior
Na Cordoaria do Porto, às 22.30 horas, tem lugar um concerto de grupos académicos e em Lisboa está prevista uma concentração, a partir das 14 horas, em frente à Cantina Velha. Da Cidade Universitária os estudantes sairão em desfile até ao Ministério da Educação e Ciência. Iniciativas idênticas têm lugar em Aveiro, junto à Reitoria da Universidade, e em Coimbra, no Largo D. Dinis.
Em comunicado, as associações de estudantes (AAEE) que decidiram aderir a este dia de luta sublinham que «é fundamental que em todo o País se faça ouvir as dificuldades dos estudantes e do Ensino Superior».
«Os vários orçamentos do Estado demonstram um desinvestimento na Educação e um desrespeito pela Constituição, que consagra que “todos têm direito ao ensino” e que “incube ao Estado estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino», salientam as AAEE, acusando os sucessivos governos de aprofundar «a degradação do Ensino Superior, estando este apenas acessível aos que têm possibilidade de o pagar».
No documento alerta-se ainda para «casos de carências alarmantes, que, a cada ano, se vêm a agravar», como é disso exemplo a falta de pessoal docente e não-docente nas instituições; falta de condições materiais para o ensino; excesso no custo dos materiais inerentes aos cursos; bolsas insuficientes em relação às necessidades dos estudantes e o atraso na sua entrega; redução de oferta de cursos; aumentos de preços nas cantinas e bares, associado à falta de qualidade e condições nas mesmas; muitas insuficiências nas residências (apenas um por cento dos estudantes têm acesso às mesmas); aumento do valor das propinas, taxas e emolumentos.
«Esta situação tem levado milhares de estudantes a abandonar o Ensino Superior e forçado muitos outros a trabalhar para poder pagar os seus estudos. Os estudantes acabam os seus cursos sem perspectivas de emprego, ou são empurrados para a procura de trabalhos fora da sua área, com vínculos precários, sem perspectiva de futuro», denunciam as AAEE, concluindo: «Os estudantes têm de persistir na luta pelos seus direitos e fazer ouvir a sua voz».
«Nem juros, nem propinas»
A Brigada Universitária em Luta (BUL) concentrou-se, no dia 17, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH).
Em mais um momento de luta e de reivindicação, onde se gritou bem alto «Nem juros, nem propinas», a BUL lembrou que «os juros de mora sobre as propinas significam um aprofundamento das desigualdades num Ensino Superior que já se encontra vedado a muitos estudantes» e que «se o estudante tiver um pagamento em atraso fica impedido de fazer a matrícula no 2.º semestre».
Acção no Pólo dos Leões
A Organização Regional de Évora da JCP saudou e manifestou a sua solidariedade com os estudantes da Universidade de Évora (UE) que se concentraram no Pólo dos Leões, no dia 18.
Neste protesto, realizado a partir do movimento de estudantes universitários «Ué para todos», reivindicou-se um bar público, o aumento de bolsas e de vagas nas residências, o fim das propinas, o aumento de pessoal docente e não docente e a melhoria das condições materiais e humanas na UE, onde é notória a gravidade do estado do edifício de teatro que há dezenas de anos está para ter obras que sucessivamente são adiadas.
«Os problemas dos estudantes só se resolvem com a intensificação e ampliação da luta», sublinham, em comunicado, os jovens comunistas de Évora.