Carrossel da precariedade nos Açores
Nos Açores, nove em cada 10 novos contratos de trabalho são a prazo, denunciou, anteontem, no Parlamento Regional, o deputado do PCP. Aníbal Pires apontou ainda a desigualdade de género, que existe não apenas nos salários, sendo que para as trabalhadoras açorianas a proporção de contratos precários aumenta para 19 em cada 20 novos contratos.
Esta situação de precariedade generalizada, bem como a abundância de programas ocupacionais, contribui para a existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores, que são forçados a todo o tipo de condições, com horários alargados e polivalência de função, fazendo com que vários postos de trabalho acabem por ser cumpridos por apenas um trabalhador, sem maior compensação pelo esforço a que é obrigado e com os óbvios efeitos em termos do desemprego na Região.
«Chegou-se à situação paradoxal de que já muitas poucas empresas contratam trabalhadores. Arranja-se um estagiário ou um desempregado de longa duração, que depois será descartado para entrar outro», criticou Aníbal Pires, tendo sublinhado que na Região «existem pessoas que sobrevivem há anos neste autêntico carrossel da precariedade: estágios não remunerados, cursos de formação profissional, estágios profissionais, programas ocupacionais, desemprego».