MDM dirige-se aos 230 deputados à AR

Dar força e confiança à luta

Numa carta aberta à Assembleia da República, o Movimento Democrático de Mulheres afirma a «urgência de medidas para repor direitos e melhorar as condições de vida das mulheres».

2015 foi um ano de grandes desafios para as mulheres

Image 19406

No dia 18, o MDM tomou a iniciativa de dirigir a todos os deputados à Assembleia da República (AR) uma carta aberta na qual apresenta a leitura que faz do actual momento e as propostas que considera absolutamente fundamentais para que se respeite os direitos das mulheres.

No documento refere-se que as mulheres e o País precisam de uma AR que assuma maioritariamente respostas claras e comprometidas, que concretizem a acção fiscalizadora do Governo, a sua responsabilidade na revogação de leis que contrariam os direitos e no aprofundamento desses mesmos direitos retomados os caminhos da igualdade, do desenvolvimento, do progresso e da paz.

Neste sentido, e desde já, o MDM reclama uma redobrada atenção à promoção da saúde da mulher no âmbito do Serviço Nacional de Saúde; ao combate ao desemprego e à precariedade com acesso ao trabalho com direitos; ao fim do congelamento das carreiras na Administração Pública; ao reconhecimento e aproveitamento das qualificações das mulheres para o desenvolvimento do País; ao direito a decidir sobre a maternidade, sem penalizações; ao reconhecimento do valor social eminente da maternidade; ao combate a todas as formas de violência contra as mulheres; por uma Escola Pública e gratuita e pelo fim das desigualdades.

Grandes desafios

No sábado, 21, o MDM reuniu a sua Direcção e Conselho Nacional, tendo debatido e aprovado as linhas de acção e orçamento para 2016.

Na análise que efectuou, o Movimento verificou que o ano de 2015 foi marcado por «grandes desafios para as mulheres, que se viram confrontadas com uma difícil situação decorrente das políticas de austeridade do governo PSD-CDS, com consequências desastrosas para a sua qualidade de vida e de trabalho».

Salientou, de igual forma, a «importância de que se revestiu o sentido de voto das mulheres nas eleições legislativas de 4 de Outubro para uma nova configuração da Assembleia da República (AR) e para a eleição de uma maioria de deputadas e deputados que afirmam opor-se à política realizada pelo governo cessante, responsável pelo longo e penoso ciclo de empobrecimento e de retrocesso nos direitas das mulheres».

Neste sentido, o MDM considera que «não há razões para que o Presidente da República não dê rapidamente posse a um novo governo, que resulta desta nova composição da AR» e que «a resolução dos problemas e a estabilidade do País exigem uma rápida solução governativa».

Programa de acção

Entretanto, para o próximo ano, no centro das preocupações do MDM estará a efectivação do direito das mulheres à inserção na vida económica, social e política, pela reposição de direitos perdidos e pela melhoria das suas condições de vida; a preservação e promoção da saúde da mulher, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde, incluindo as práticas da IVG, a assistência nos partos e gravidez, para além dos cuidados primários de saúde ao longo do ciclo de vida; o combate ao desemprego e à precariedade, no contexto nacional e regional, bem como a criação de um plano de combate à exploração na prostituição.

No plano internacional, o MDM não deixará de intervir, autonomamente e em parceria com outras organizações, em defesa da paz, apelando a uma cultura de paz e desarmamento, à cooperação e solidariedade para com as organizações de mulheres que lutam pela autodeterminação e pela justiça social.


Violência doméstica

No dia 13, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) promoveu, no Funchal, uma conferência sobre violência doméstica, um problema que em pleno século XXI não só não tende a regredir como o número de desfechos trágicos em Portugal assume valores assustadores e de calamidade pública. A iniciativa contou com a participação de Sílvia Vasconcelos, coordenadora regional do MDM na Madeira, Helena Pestana, directora da Associação Presença Feminina, e Sandra Benfica, dirigente nacional do MDM.

No Teatro Municipal Baltazar Dias, as mais de 100 pessoas analisaram e reflectiram sobre a situação específica na Região Autónoma da Madeira, onde o fenómeno tem aumentado, de acordo com dados oficiais.

Teve ainda lugar um um retrato teatral sobre a violência doméstica, promovida pela Associação «Olho-te».


ONU analisa Portugal
Austeridade afecta mulheres

«As medidas tomadas pelo Estado no âmbito dos acordos de resgate com as instituições da União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm um impacto negativo e desproporcionado sobre vários aspectos da vida das mulheres», salienta o relatório do Comité sobre Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW, na sigla em Inglês) da ONU, apresentado no dia 20.

Neste documento, recorda-se que, apesar das dificuldades económicas, Portugal deve tomar medidas para respeitar os direitos humanos das mulheres e garantir a protecção das mulheres em situações mais vulneráveis. O Comité apelou ainda à realização de um estudo para a avaliar as consequências das medidas de austeridade, bem como um plano para reduzir os efeitos negativos.

 



Mais artigos de: Nacional

A união faz a diferença

Sob o lema «É urgente: condições para estudar», os estudantes do Ensino Superior vão manifestar-se hoje, 26, em vários pontos do País, contra os cortes no financiamento e na Acção Social.

Setúbal <br>embandeira Desporto

Setúbal recebeu no dia 18, no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a bandeira oficial de Cidade Europeia do Desporto 2016, juntamente com as outras 32 localidades europeias nomeadas pela ACES Europe, como capitais, cidades ou regiões dedicadas ao desporto.

Carrossel da precariedade nos Açores

Nos Açores, nove em cada 10 novos contratos de trabalho são a prazo, denunciou, anteontem, no Parlamento Regional, o deputado do PCP. Aníbal Pires apontou ainda a desigualdade de género, que existe não apenas nos salários, sendo que para as trabalhadoras açorianas a...

Equipamento inacessível <br>aos lisboetas

Na sequência do programa preliminar apresentado sobre a futura intervenção no Pavilhão Carlos Lopes, foi aprovado, pela maioria PS na Câmara de Lisboa, o licenciamento do projecto de arquitectura, entregue pela Associação de Turismo de Lisboa...

Evocar a Reforma Agrária

  A Associação Conquistas da Revolução (ACR) levou a cabo, no sábado, 21, no Auditório da Junta da União de Freguesias da Vila, Vila do Bispo e Silveiras, em Montemor-o-Novo, uma sessão de apresentação dos livros...