Guerra na Síria

Paz tarda e barbárie prossegue

Conversações de paz em Viena terminam sem acordo para a pacificação da Síria. No território, o governo com apoio aéreo russo faz recuar os grupos armados, que recorrem à barbárie à espera da ajuda dos EUA.

Os «rebeldes» estão a usar civis como escudos humanos, acusa a HRW

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O último episódio que mostra que os terroristas não hesitam em recorrer à barbárie na defesa das respectivas posições ameaçadas pelo avanço das forças armadas sírias, é relatado pela Human Rights Watch (HRW), que acusa os «rebeldes» de crimes de guerra ao usarem civis como escudos humanos. A Organização denuncia que é isso que está a suceder nos arredores de Damasco.

A HRW, bem como o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, primeiro e grande propagandista da dita «revolta popular síria», consideram que «nada pode justificar» a «tomada de reféns», mesmo que seja contra alegados «bombardeamentos indiscriminados» das autoridades sírias.

Na denúncia, ambas as organizações veiculam a acusação de que os ataques aéreos sírio-russos têm atingido alvos civis. A verdade é que os EUA e os demais acusadores não apresentaram qualquer prova. A Cruz Vermelha veio a terreiro garantir não ter qualquer testemunho directo dos supostos casos veiculados, e Moscovo sublinhou mesmo que hospitais pretensamente atingidos na campanha anti-terrorista nem sequer existem.

De tangível, a Rússia e a Síria apresentam o significativo balanço de mais de 1600 alvos terroristas atingidos desde 30 de Setembro, entre os quais 249 postos de comando, 51 campos de treino, 131 depósitos de armas e combustível e 786 bases. E 28 dos mais «odiosos» lideres jihadistas foram liquidados e mais de 50 cidades e vilas foram libertadas, detalhou, sexta-feira, 30, o coronel-general Andrey Kartapov.

No entanto, ainda é cedo para cantar vitória, advertiu o militar russo, que lembrou a forte implantação terrorista e a provável transferência de mercenários do Iraque para a Síria.

Forças contrárias

A obstaculizar o triunfo anti-terrorista está, igualmente a volatilidade das diversas facções no terreno. A semana passada, um comandante do chamado Exército Sírio Livre confirmou à RT que muitos dos seus homens passaram para o Estado Islâmico (EI). O propósito dos mercenários, que segundo os serviços secretos russos são oriundos de mais de uma centena de países, é servir quem esteja em condições de lhes pagar o soldo, antevendo-se um reagrupamento de forças.

Foi neste contexto que os EUA anunciaram o envio para a Síria de um contingente de tropas especiais (50 militares) com o alegado objectivo de auxiliar no combate ao EI. A Casa Branca decidiu igualmente fornecer mais cem milhões de dólares à «oposição moderada síria», alcançando a soma de 500 milhões de dólares já atribuídos a grupos que poucos duvidam estarem na origem do surgimento e consolidação do califado islâmico na Síria e no Iraque.

A decisão norte-americana foi criticada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia durante a conferência de imprensa conjunta com o secretário de Estado dos EUA, em Viena, na Áustria, onde decorreu uma conferência internacional envolvendo os principais actores mundiais e regionais, mas na qual não estiveram representados nem o governo nem a oposição síria.

Os participantes na iniciativa discordaram no fundamental: os apoiantes da Síria rejeitam uma solução política que afaste Bashar al-Assad e consideram que cabe ao povo sírio escolher os seus representantes; os defensores dos «rebeldes» insistem em tentar afastar o presidente do país. Por estes dias, o jornal francês Le Figaro publicou uma sondagem de acordo com a qual mais de 70 por cento dos sírios rejeitam o abandono de Bashar al-Assad.

Na Síria e sobre a Síria confirma-se a tese de que a guerra é a continuação da política por meios violentos.

 



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