Luzes e sombras

Vasco Cardoso

Por entre as densas brumas criadas pela barragem mediática nos últimos meses à realidade que atinge as condições de vida do povo e a situação do País, vão sendo conhecidas novas medidas que, a confirmarem-se, acentuam o traço mais marcante da política de direita: a opção pelos interesses dos grupos monopolistas à custa da exploração e empobrecimento dos trabalhadores e do povo. De facto, seja em função da estratégia montada pela coligação PSD/CDS de mistificação da realidade a que a comunicação social dominante deu cobertura, seja em função da recente campanha eleitoral e dos desenvolvimentos políticos que lhe estão a suceder, quase que se poderia deduzir que os problemas mais emergentes do País se esfumaram e que a ofensiva parou. Nada mais falso!

Ainda esta semana, ficámos a conhecer a proposta de novo tarifário para a energia eléctrica que a chamada Entidade Reguladora para os Serviços Energéticos – ERSE colocou cá fora: nada mais nada menos do que um novo aumento de 2,5 por cento nas chamadas tarifas reguladas de electricidade a partir de 1 de Janeiro do próximo ano.

Repetindo o filme de anos anteriores em que, após a indicação dada pela ERSE, os governos impuseram ao povo português os referidos aumentos (ainda em 2015 assistimos a um aumento de 2,5 por cento), tudo se encaminha para, em função dos interesses da EDP e dos restantes operadores, ser imposto um novo assalto aos cada vez mais parcos rendimentos do povo português. Uma opção que, sendo em cada ano justificada pelo chamado défice tarifário (que as privatizações, diga-se, criaram), tem apenas e só por detrás a garantia dos lucros destas empresas (no caso da EDP superam os mil milhões de euros por ano), confirmando o carácter rentista e parasitário destes grupos económicos que operam em regime de monopólio no nosso País.

É uma evidência que aquilo que se exige ao governo que esteja em funções é a recusa deste escandaloso aumento no preço da electricidade e a regressão do IVA de 23 por cento para seis por cento que o pacto de agressão do PSD, CDS e PS impôs a partir de 2012, mas a assumpção de uma política energética ao serviço do povo e do País só poderá ser efectivada com a recuperação do controlo público deste sector. E só com a luta se iluminará esse caminho!

 



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