Um voto que incomoda muita gente

Vasco Cardoso

Com as eleições à porta, intensifica-se a falsificação da realidade, aumenta o anti-comunismo como forma de limitar as possibilidades da CDU alargar a sua votação e influência.

Operações como a que foi desencadeada pelo Expresso, com provocações lançadas à Festa do Avante! e ao Partido, conviveram durante semanas com o silenciamento e a discriminação da CDU e o bombardeamento ideológico, designadamente por via das «sondagens», visando a bipolarização e, em particular, a concentração de votos no PS.

Também da parte de outras forças políticas o tom foi subindo: o BE, pela voz de um dirigente, decidiu-se por atacar o PCP e, esquecendo aqueles que dizem combater, contar uma história ao contrário. A história da tentativa de legitimação dos cortes salariais a todos os trabalhadores (público e privado) por parte do Tribunal Constitucional a que o pedido de verificação entregue pelo BE e deputados do PS abriu portas; Marinho e Pinto, o mesmo que entra e sai de partidos como quem muda de camisa, ou que vocifera contra os ordenados dos políticos mas que depois foge da votação no Parlamento Europeu para a redução dessas mordomias (que o PCP propôs) encarniçou-se contra o que ele chama de «fraude eleitoral», a CDU, destilando um ódio ao PCP que não cola com a máscara de democrata que exibe; e o PS, o mesmo que nestes 39 anos anos outra coisa não tem feito do que fretes à direita. O PS, cujas opções em matéria de privatizações, direitos dos trabalhadores, dívida, União Europeia, submissão ao poder económico, etc., em quase nada se distingue da actual maioria, veio dizer que um voto «no PCP é um voto na direita»??!!.

Na luta política ninguém está acima da crítica mas ver o BE tentar vender a ideia de que o PCP não esteve ao lado dos trabalhadores, Marinho e Pinto a acusar outros de «fraude eleitoral» ou o PS a arrumar os comunistas ao lado da direita, não deixa de ser sintomático sobre as preocupações que inundam algumas meninges. Sobretudo as que decorrem da consciência, mesmo daqueles que medem o mundo pelo que vêem na TV, desta força imensa, a Força do Povo, que ao longo de meses se mobilizou e desdobrou em milhares de contactos, encontrou um apoio cada vez mais sólido às suas propostas, soluções e projecto para o País.




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