A três dias
A três dias das eleições, PS e PAF convergem na mesma angústia: para onde rolará a «lotaria eleitoral» – que é como ambos encaram o escrutínio do próximo dia 4 de Outubro.
Há lógica interna nesta angústia: ambas as forças (onde o CDS é mero penduricalho) têm outras convergências do passado, que a ambos manietam na verborreia propagandística.
O «PAF» é responsável pelo mais feroz desmantelamento do Portugal de Abril posto em execução numa única legisalatura e o PS – continuador desse velho desmantelamento nos governos Sócrates – desertou da luta, enfueirado nas prosápias da pandilha Passos/Portas e deixando correr a catástrofe sem que se lhe ouvisse um protesto consistente, quanto mais uma luta organizada. Quem ficou a organizá-la foi o PCP – e o PS sabe-o, mas o povo português também.
Esta é a primeira e mais funda convergência entre PS e PAF: o desmantelamento das traves essenciais do Portugal de Abril, onde as diferenças entre ambos estarão apenas no ritmo.
Por isso entraram na pré e na campanha eleitorais arrastando essa confluência: o PAF sabendo que segregava a repulsa de todo o País pela miséria que semeara, o PS sabendo que sofria a indiferença, se não o desprezo do País por nada continuar a fazer para impedir a catástrofe.
E a confluência prosseguiu nas campanhas eleitorais, com ambos enfrentando um novo dilema.
O PAF fugindo de fazer de novo promessas aldrabonas, porque o País lhes chama mentirosos de alto a baixo. Assim, vão calcando numa mirífica «estabilidade» que teriam plantado no País, «garantindo» essa «estabilidade» contra o desvario despesista «dos outros».
Os do PS a fugir também de se comprometerem com promessas que sabem não ir cumprir, optando por apresentar um «programa com contas certas», onde a sua submissão aos ditames de Bruxelas não lhes permite atacar a raiz dos problemas nacionais e apresentar uma proposta que apenas seria credível se, claramente, se afirmasse combativa contra os ditames da UE e da Alemanha. Por isso, presos no seu labirinto, os do PS estão no dilema de apresentar um programa eleitoral com política igual à da direita, mas que pretendem fingir ser um «programa de esquerda».
Uma última confluência: ambos apostam na campanha eleitoral como um jogo, onde pensam que quem melhor iludir será quem ganhará. Ambos incorrem no erro fatal (e de classe) de esquecer que a política de direita faz doer e magoa quem a sofre. Longamente, nesta Legislatura. E seriamente.
É claro que a três dias das eleições o PS e o PAF já prometem tudo e mais um par de botas, mas sempre na espuma dos dias, a ver se cativam eleitores desencantados.
A três dias das eleições, o que os portugueses sabem, garantidamente, é que o voto sério e seguro é na CDU, que não engana nem mente e está sempre na linha da frente na luta contra a política da direita.