Prestar contas

João Frazão

Caro Ma­nuel Pi­nheiro,

De­cidi es­crever-lhe a pro­pó­sito do texto que pu­blicou na In­ternet*, in­ti­tu­lado «eu não vou votar no PCP... mas devia», que li com es­pe­cial apreço.

Diz o Ma­nuel que o PCP é o único Par­tido que envia «o re­la­tório de todas as ac­ções que tomou no que à agri­cul­tura diz res­peito». Não es­tranhe. Nem os par­tidos nem os de­pu­tados são todos iguais e os de­pu­tados deste Par­tido levam muito a sério o man­dato que o povo por­tu­guês lhes con­fiou, e prestam contas a quem os elegeu.

Afirma ainda que na Co­missão dos Vi­nhos Verdes re­ce­beram «de­zenas de mails do PCP... dando in­for­ma­ções... co­lo­cando ques­tões, en­vi­ando do­cu­mentos». O que com­ple­menta com a in­for­mação de que «não passa uma le­gis­la­tura em que os de­pu­tados do PCP... não nos peçam uma reu­nião». Se no PCP temos uma po­lí­tica al­ter­na­tiva pa­trió­tica e de es­querda, que acerta nos seus ele­mentos es­sen­ciais, não é porque tudo sai­bamos, mas porque ou­vimos os in­te­res­sados nessa po­lí­tica, fa­zendo-o, como bem afirma na sua pu­bli­cação, não como um nú­mero de charme, mas para in­cor­porar na nossa opi­nião o saber, a cri­a­ti­vi­dade, as pro­postas, os in­te­resses de quem lida e co­nhece de perto os pro­blemas.

E, como re­fere o Ma­nuel, isto não é um es­tilo de tra­balho apenas deste ou da­quele sector. Não fal­tarão pro­fes­sores, juízes, des­por­tistas, ho­mens e mu­lheres da cul­tura, ope­rá­rios das mais di­versas pro­fis­sões, jor­na­listas, es­tu­dantes, pes­ca­dores, em­pre­sá­rios, agri­cul­tores, di­ri­gentes as­so­ci­a­tivos, di­ri­gentes sin­di­cais, au­tarcas, e etc., a dizer o mesmo.

Com­pre­en­derá que eu tenha fi­cado com um sor­riso de orelha a orelha quando li o seu texto. E que lhe diga que para além da von­tade que dá votar no PCP, não se de­sa­pon­taria se o fi­zesse.

A si, Ma­nuel Tei­xeira, e a todos os que, talvez to­lhidos pelo pre­con­ceito, não con­se­guem con­cre­tizar a von­tade e a cons­ci­ência de que esse era o voto que ser­viria me­lhor os seus in­te­resses, re­a­firmo não se ar­re­pen­de­riam ao dar esse passo.

E já agora, per­mito-me ainda lem­brar-lhe que para votar nos ho­mens e mu­lheres que dão corpo a este pro­jecto co­lec­tivo que é o PCP, é só ne­ces­sário pro­curar a foice e o mar­telo se­guido do gi­rassol. É só fazer a cru­zinha.

Que não trema a mão a nin­guém.

*(http://​coi­sas­do­vi­nho­verde.blogspot.pt/​2015/​08/​eu-nao-vou-votar-no-pcp-mas-devia.html)

 



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