1082
1082 euros – foi esse o valor que, em média, cada família com crianças gastou em educação em 2014. Ou seja: praticamente dois salários médios de um trabalhador português, num País em que uma em cada três crianças é pobre ou está em risco de exclusão social e em que se chora lágrimas de crocodilo pela baixa natalidade.
Neste valor, têm um peso determinante as despesas relacionadas com manuais escolares e com mensalidades de creches e jardins de infância. Agosto e Setembro são os meses fatídicos da compra dos livros para a escola das crianças e dos jovens, e os meses em que se sabe as actualizações das mensalidades das crianças mais pequenas.
No dia 4 de Outubro, haverá milhões de pessoas a dirigirem-se às assembleias de voto com essas despesas – e outras, mas hoje falamos destas – a pesar na carteira e na consciência. Pais, avós, tios, professores, educadores. Quem já tem direito a voto, também devia pensar nos direitos de quem ainda não vota. As crianças e os jovens têm sido muito mal tratados pela política de direita. Cortes nos abonos de família, nos passes, na acção social escolar, na comparticipação de medicamentos, encerramento de escolas do 1.º ciclo, emigração forçada a separar famílias. Até sobre os livros escolares o Governo assinou uma espécie de renda perpétua para a Associação de Livreiros, a garantir-lhes um aumento fixo anual de 2,6 por cento, independentemente da inflacção.
A gravidade da política de direita não se mede só pelo inferno e pela ginástica que as famílias fazem nestes meses para assegurar que os estudantes têm livros para estudar. Também se mede pelas consequências que tem na vida das crianças e dos jovens e do impacto que isso terá nas possibilidades de desenvolvimento do País.
Garantir a universalidade do abono de família, garantir a todas as crianças vaga no pré-escolar público, entregar gratuitamente os manuais escolares a todos os estudantes do ensino obrigatório são medidas decisivas para investir no desenvolvimento e no futuro do País. São um contributo sério na formação das crianças e dos jovens, um apoio indispensável ao seu desenvolvimento integral, medidas de combate ao abandono e ao insucesso escolar.
No dia 4 de Outubro, votar na CDU também é votar nos direitos das crianças, para um Portugal com futuro.